Milícias podem ter mais espaço

ENTREVISTA

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2010 | 00h00

Cláudio Beato

ESPECIALISTA EM CRIMINALIDADE E SEGURANÇA PÚBLICA DA UFMG

O foco das ações policiais sobre as quadrilhas de traficantes pode facilitar a ascensão das milícias nas favelas do Rio, segundo o professor Cláudio Beato, coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública da Universidade Federal de Minas (UFMG). Para o sociólogo, os grupos formados por policiais e ex-policiais podem assumir o protagonismo do crime organizado.

O poder do crime organizado pode mudar de mãos no Rio?

O modelo de domínio territorial pelo tráfico está em decadência e a tendência é o protagonismo de uma lógica mais empresarial, superando apenas a venda de drogas. As milícias são uma tradução disso, controlando venda de gás, transporte, energia elétrica, TV a cabo e até prostituição. O crime passa a ser regido por uma nova lógica econômica, em que não cabe mais ação violenta porque é ruim para os negócios.

Como as milícias sobreviveriam às políticas de combate ao crime?

As milícias são praticamente invisíveis. Não ganham os jornais com espetáculos de violência, como os do tráfico. A outra razão é que há uma penetração institucional acentuada e uma conivência muito grande por parte das polícias e do próprio poder público, que acham que a milícia pode ser uma solução, quando são parte do problema.

Que forma tende a tomar o crime organizado no Rio?

Se as milícias não forem monitoradas e combatidas desde já, podem dar origem a algo parecido com uma máfia, que se estrutura com a minimização do uso da força, infiltrada nas instituições e no poder político. Na Colômbia, quando o narcotráfico se tornou violento, perdeu espaço. Houve a ascensão dos paramilitares.

Que soluções poderiam ser adotadas?

É preciso um sistema de informações que se antecipe aos movimentos do crime organizado.

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