Milicianos têm rede de informantes em delegacias

De acordo com as investigações, quatro estruturas criminosas foram descobertas. Uma delas é a Milícia do Afonsinho, que seria liderada por Ricardo Afonso Fernandes, policial militar da reserva e parente do inspetor Christiano Gaspar Fernandes, até ontem chefe de investigação da 22.ª Delegacia da Penha, bairro onde fica uma das favelas controladas pela milícia, a Kelson"s. A delegada titular da DP, Márcia Beck, foi detida ontem depois de flagrada informando Christiano sobre a operação. Ambos foram agraciados com medalhas pelo chefe da Polícia Civil, Allan Turnowski .

Cenário: Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2011 | 00h00

Além de policiais civis, a quadrilha contava com policiais militares que eram "adidos" em delegacias distritais e especializadas e informantes. Entre eles, Magno Carmo Pereira, que atuava como informante da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod). Ele foi testemunha-chave para revelar a atuação multifacetada das quadrilhas, que atuavam em favelas com milícias, vendiam a traficantes informações sobre operações policiais e o chamado espólio de guerra - armas, drogas e munições apreendidas em operações policiais -, além de atuarem como segurança de pontos de jogos clandestino. "Os adidos eram uma distorção do sistema para suprir a falta de policiais", disse o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame.

Entre os integrantes da quadrilha que tiveram a prisão decretada ontem está o inspetor da Polícia Civil Leonardo da Silva Torres, o Torres Trovão, fotografado fumando charuto durante a megaoperação do Complexo do Alemão, em 2007, que resultou na morte de 19 traficantes. Laudos apontaram suspeita de execuções.

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