Milícia cobra taxa no ''Minha Casa''

Moradores de condomínio do programa do governo federal no Rio pagam R$ 40 por mês a paramilitares, diz secretário da Habitação

Alfredo Junqueira, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2011 | 00h00

Todos os empreendimentos imobiliários do programa "Minha Casa, Minha Vida", do governo federal, construídos para atender a população carente na zona oeste do Rio estão sob assédio de grupos de milicianos que atuam no local. A constatação é do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, responsável pelos processos de reassentamento. Ele acusa a PM de ser conivente com os paramilitares.

Com 262 unidades, o Condomínio Ferrara, em Campo Grande, já foi dominado pela milícia. Apartamentos foram invadidos por pessoas ligadas aos paramilitares e os moradores estão sendo obrigados a pagar taxas de segurança mensais de R$ 40. A Pastoral das Favelas encaminhou denúncia a Bittar de que duas pessoas que se recusaram a pagar a mensalidade desapareceram.

No fim de fevereiro, a Secretaria de Habitação e representantes da Caixa Econômica Federal, proprietária do empreendimento, fizeram uma fiscalização no local - com apoio da PM e de agentes da Polícia Federal. De acordo com Bittar, das 262 unidades, 143 haviam sido invadidas.

"Esperávamos que, ato contínuo, a Secretaria de Segurança e a PM fossem resolver aquela situação", afirmou Bittar. "Mas nós notamos que há uma visão no mínimo corporativa da PM, que acaba sendo conivente com essas práticas criminosas."

Além do condomínio Ferrara, o "Programa Minha Casa, Minha Vida" tem outros dez empreendimentos na região, totalizando 2.709 unidades. A maior parte destinada para famílias vítimas das enchentes que afetaram o Rio no ano passado e moradores de áreas de risco.

Em nota conjunta, a Secretaria de Segurança e a PM confirmaram que policiais deram apoio à operação de fiscalização no Condomínio Ferrara e que o corregedor da corporação, coronel Ronaldo Menezes, e o chefe do Estado-maior Operacional, coronel Álvaro Garcia, participaram de reuniões na Secretaria de Habitação. "A Corregedoria não constatou a presença de PMs praticando crimes ou formando quadrilhas", diz a nota.

A pasta da Segurança informou que o batalhão local da PM (40.º BPM) aumentou o efetivo de policiais no entorno do Condomínio Ferrara e que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) já tem investigações em andamento contra milicianos que atuam naquela região.

Vereador preso. Ontem, uma integrante da quadrilha do vereador Luis André Ferreira da Silva, o Deco (ex-PR), foi presa. Maria Ivonete Santana Madureira, presidente da associação de moradores das comunidades Bateau Mouche, Mato Alto e Chacrinha, entregou-se no início da tarde.

Nenete Madureira é acusada de ser a responsável pelo recolhimento de taxas cobradas dos moradores e por ajudar a elaborar a "lista negra" dos devedores da milícia. O vereador está preso.

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