José Patricio/AE-25.03.2010
José Patricio/AE-25.03.2010

Milhares de roupas doadas para S. Luís de Paraitinga vão parar no lixo

Peças mofaram e estragaram em um depósito particular localizado na zona rural do município; prefeitura diz que abriu sindicância

REGINALDO PUPO , ESPECIAL PARA O ESTADO , SÃO LUÍS DE PARAITINGA, O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h03

Milhares de peças de roupas que foram doadas por voluntários de todo o País - e que deveriam ser destinadas aos desabrigados pela inundação que em 2009 destruiu metade da pequena cidade de São Luís de Paraitinga, no Vale do Paraíba - foram parar no aterro sanitário municipal há 15 dias.

As peças, que estavam armazenadas em um galpão privado na zona rural desde a catástrofe, foram condenadas pela Vigilância Sanitária. Após análise clínica, constatou-se a existência de fungos e foi determinado que o material fosse descartado, uma vez que não há mais condições de uso.

Em nota, a prefeitura afirmou que instaurou um procedimento administrativo de sindicância "para apuração de eventual responsabilidade funcional dos servidores que acompanharam as doações". Na nota, a prefeitura não estipula um prazo para a conclusão das investigações. O caso veio à tona dois anos após a tragédia e a prefeitura afirmou que desconhecia o problema, que foi denunciado por moradores.

Na noite de 31 de dezembro de 2009, mais de 2 mil pessoas foram obrigadas a abandonar suas casas, após o Rio Paraitinga transbordar. A maioria saiu com a roupa do corpo e perdeu tudo. Além dos mais variados donativos arrecadados, as roupas eram o acessório mais procurado pelos desabrigados.

Parte desse material inutilizado pela Vigilância Sanitária Municipal, que seria uma sobra das doações, ficou mofando no galpão de uma antiga usina de beneficiamento de leite, situada a 10 quilômetros de estrada de terra da Rodovia Oswaldo Cruz, que liga Taubaté, no Vale do Paraíba, a Ubatuba, no litoral norte. O local está em aparente estado de abandono.

Sobras. Segundo a prefeitura, as roupas foram depositadas no local por causa do grande número de doações. Um funcionário da antiga usina relatou, porém, que a prefeitura depositou os donativos e não retornou para buscá-los.

O proprietário do lugar, que se identificou para a reportagem apenas como Gustavo, afirmou que não tinha meios para fazer o transporte das doações.

Segundo ele, durante todo esse período, seis caminhões com as doações foram enviados para Guarulhos, Campinas, Jacareí e Ourinhos. "Não tenho mais como bancar isso sozinho. E está sendo difícil fazer as doações, pois quem diz precisar quer tudo triado, separado e sugere que eu ainda entregue no local", disse ele, antes de saber que o material foi condenado pela Vigilância Sanitária.

A prefeitura informou, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que o empresário se colocou à disposição para levar as mercadorias para o galpão na época, uma vez que muitas doações já haviam sido feitas e os desabrigados puderam levar várias peças.

Ainda de acordo com a prefeitura, o empresário, que mora na capital, assinou um termo no qual se comprometeu a fazer doações para uma entidade.

Grande volume de peças. Oficialmente, a prefeitura ressaltou que, com exceção do material inutilizado, "as roupas doadas às vítimas da enchente foram devidamente entregues aos seus destinatários". A assessoria explicou que várias ações foram articuladas para a distribuição. "No entanto, por causa do grande volume de peças, que atendeu a contento a população, a prefeitura acionou os municípios vizinhos e entidades filantrópicas para que prestassem auxílio na destinação das roupas, já que nem sequer havia local para acomodação do volume remanescente nos prédios públicos."

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