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Mil mulheres do MST ocuparam centro de pesquisa da Suzano

Grupo protestou e destruiu mudas de eucalipto transgênico em unidade localizada em Itapetininga, no interior de São Paulo

Marcelle Gutierrez, O Estado de S. Paulo

05 Março 2015 | 15h34

SÃO PAULO - Cerca de mil mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam na manhã desta quinta-feira, 5, a FutureGene, empresa de pesquisa da Suzano Papel e Celulose, localizada em Itapetininga, no interior de São Paulo. 

Segundo informações do MST, em seu site, no local da ocupação estariam sendo desenvolvidos testes com o eucalipto transgênico, conhecido como H421. "Na ocasião, as sem-terra destruíram as mudas dos eucaliptos transgênicos", informou o movimento.

Também durante a manhã desta quinta-feira, cerca de 300 pessoas organizadas pela Via Campesina ocuparam a reunião da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), que tinha na pauta a liberação de três novas variedades de plantas transgênicas no Brasil: os milhos resistentes ao 2,4-D e ao haloxifape, além do eucalipto transgênico. A reunião foi interrompida e a votação passará para a primeira quinzena de abril.

"A ação, que faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Camponesas, pretende denunciar os males que uma possível liberação de eucalipto transgênico, a ser votado na CTNBio, pode causar ao meio ambiente", detalhou o MST. 

O MST também divulgou declaração de Atiliana Brunetto, integrante da direção nacional do movimento. "O princípio da precaução é sempre ignorado pela CTNBio. A maioria de seus integrantes se coloca em favor dos interesses empresariais das grandes multinacionais, em detrimento das consequências ambientais, sociais e de saúde pública”, observou.

Sobre o caso específico do eucalipto, Catiane Cinelli, integrante do Movimento de Mulheres Camponesas, afirmou: “Se aprovado pela comissão esse pedido, o eucalipto reduziria sua rotação de seis/sete anos para apenas quatro anos. O gasto de água será maior do que os 25 a 30 litros/dia por cada eucalipto plantado que se utiliza hoje. Estamos, novamente, chamando atenção para o perigo dos desertos verdes”.

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