Mídia Ninja agora vive impasse

A Mídia Ninja, que ganhou visibilidade nas manifestações de junho, passa atualmente por um impasse. Precisa decidir o nível de ligação que pretende manter com o Fora do Eixo (FdE)- que oferece a mão de obra e a tecnologia para a atividade dos jornalistas.

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2013 | 02h04

Na avaliação do grupo, a estratégia de captar dinheiro público, que acaba dependendo de ligações e diálogos políticos, pode comprometer a independência que eles gostariam de criar. Ao mesmo tempo, a estrutura e a mão de obra dos integrantes do FdE viabilizam as transmissões.

Na semana passada, os Ninjas pediram a ajuda de outros jornalistas para debater o tema e discutiram alternativas de financiamento. Assustado com o volume de críticas recebidas, Bruno Torturra, principal articulador do coletivo de repórteres, disse que havia desistido de tentar arrecadar dinheiro via crowdfunding (financiamento coletivo). O potencial de alavancagem de recursos era alto, mas ele preferiu abrir mão da iniciativa temendo ataques.

Ressentimentos. A guerra de trolls (ataques virtuais) começou a ocorrer depois da entrevista em que Pablo Capilé, do Fora do Eixo, e Bruno Torturra concederam ao Roda Viva, da TV Cultura. Os dias seguintes foram de glória. Os confetes, contudo, abriram a tampa da caixa de críticas e de ressentimentos contra as práticas do coletivo.

O fotógrafo Rafael Vilela, dos Ninjas, além de acompanhar os protestos, viajou para cobrir as manifestações no Egito. Ele abandonou o curso de Jornalismo em Florianópolis para morar na Casa Fora do Eixo, em São Paulo. Assim como os demais integrantes, não recebe salário e veste roupas de um armário coletivo. As fotos não têm seus créditos. "Foi uma excelente opção de vida e não me arrependo. Nossas fotos estão disponíveis e isso permitiu que fossem reproduzidas em vários lugares. É uma experiência que só pude ter por estar aqui."

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