'Meu filho hoje é outra pessoa', diz pai de interno

Em 2009, Lucas (nome fictício), hoje com 12 anos, foi viver na rua. Passou a fugir de casa para ficar circulando no centro de São Paulo, onde acabou entrando em contato com as drogas. Segundo filho de quatro irmãos, ele fez seus pais passarem o Natal de 2010 e 2011 na cracolândia. No ano passado, depois de ser acusado de furtos, foi mandado para a Fundação Casa. "Fiquei aliviado no fim do ano passado depois que ele foi para a fundação. Pelo menos lá eu sabia que ele estava vivo", conta o pai de Lucas.

O Estado de S.Paulo

10 Março 2013 | 02h01

O juiz achou melhor obrigá-lo também a se internar no Serviço de Atenção Integral ao Dependente (Said), que entrou em contato com os pais do menino e os incluiu no tratamento. Ontem, depois de três meses de tratamento, Lucas foi falar com o juiz, que o mandou voltar a estudar já amanhã. "Meu filho hoje é outra pessoa. Acho que agora vai. Ele não teria como decidir pela internação. Eu pensava até em levá-lo amarrado. A decisão do juiz foi muito importante", disse o pai.

Já Samuel Francisco da Silva, de 41 anos, foi por vontade própria receber tratamento do Said. Recebeu alta há seis meses. Ele conviveu com muitos internos que haviam sido mandados para o Said compulsoriamente.

Silva acredita que a principal qualidade do serviço foi a busca dos familiares e o tratamento paralelo que eles recebem, juntamente com o paciente. A mulher dele, Rosângela, e os dois filhos, por exemplo, participaram de sessões com os médicos. "Acho que esse tratamento completo, em que se conversa com a família, é mais importante do que o fato de a pessoa ir voluntária ou compulsoriamente", diz Silva.

O desembargador Antonio Carlos Malheiros, coordenador do setor de Infância e Juventude do Tribunal de Justiça, pondera que a internação compulsória é para casos extremos. "Vale quando se coloca em risco a si próprio ou a terceiros." / B.P.M.

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