'Meu filho foi feito de escudo e morreu com um tiro nas costas'

Professor de Itamonte foi feito refém por bando e acabou assassinado durante troca de tiros com a polícia

ITAMONTE (MG) , O Estado de S.Paulo

02 Março 2014 | 02h04

"Meu filho foi feito de escudo humano e mataram ele com um tiro nas costas", afirma Adélia Madeira, de 71 anos. O professor de segurança no trabalho Silmar Júnior Madeira, de 31 anos, foi um dos mortos no dia do confronto entre polícia e uma quadrilha paulista que tem agido no estilo novo cangaço, no dia 23, em Itamonte, sul de Minas.

Seu nome foi apresentado inicialmente pela polícia como um dos assaltantes mortos no confronto. Depois, acabou reconhecendo sua inocência.

Madeira saía da casa da namorada quando foi pego por dois integrantes da quadrilha que queriam usar seu carro como barricada. Ao chegarem ao local, avistaram o bloqueio policial e houve o confronto. Os criminosos e o refém foram mortos. O professor era o único que não usava colete à prova de balas e tinha documento no bolso.

"Além de perdê-lo, até hoje ouvimos comentários de que ele poderia estar envolvido", diz a irmã Rosimeire Madeira, de 44 anos. A família diz que vai esperar os resultados de balística da perícia para saber se o tiro que matou Madeira foi dado pela polícia. Quem acompanha o caso são dois irmãos, que são policiais militares em Minas.

"Vamos esperar para confirmar de quem foi o disparo, não seremos injustos como foram com a gente. Mas vamos querer justiça quando tudo for esclarecido", afirma a mãe.

Madeira deixa duas filhas, uma de 6 anos e outra de 6 meses. A mãe da filha mais velha, Mayara Lopes, de 28 anos, afirma que duas testemunhas viram quando Madeira foi morto. "Revolta por causa do jeito que ele foi morto, de uma forma estúpida. E também porque ficaram falando besteira, mesmo depois de a polícia confirmar que ele era vítima."

Outro morador foi feito refém por dois bandidos. Ele foi obrigado a dirigir até São Paulo, mas acabou libertado com vida depois de a polícia interceptá-los em São José dos Campos. "Se tivéssemos mais informações o confronto poderia ter sido evitado", afirma o delegado Ruy Ferraz Fontes. / R.B.

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