ALEX SILVA/ESTADÃO
ALEX SILVA/ESTADÃO

'Meu filho achou que ia morrer', diz pai de aluno baleado na USP

Estudante de Letras passou por cirurgia e segue internado; família comemorava aniversário do irmão quando soube da notícia

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2015 | 13h00

Atualizado às 22h41

SÃO PAULO - Vítima de um disparo pelas costas após uma tentativa de assalto na Universidade de São Paulo (USP), o estudante de Letras Alexandre Simão de Oliveira Cardoso, de 28 anos, pensou que não iria resistir aos ferimentos provocados pela bala calibre 22, que lhe atravessou o tórax e perfurou o fígado. "Meu filho achou que ia morrer. Ele sentiu uma queimação no peito. A dor do tiro é muito forte", afirma o pai da vítima, o aposentado Alberto de Oliveira Cardoso, de 62 anos.

Alexandre se dirigia para seu carro quando foi surpreendido por três adolescentes, um deles armados, na Praça 4, em frente à Faculdade de Letras, Filosofia e Ciências Humanas (FFLCH), no câmpus Butantã, zona oeste da capital, por volta das 21 horas. Assustado, tentou fugir e deu as costas para os ladrões, que atiraram. Mesmo baleado, continuou correndo para pedir ajuda. Caiu na entrada da faculdade.

No momento do crime, sua família fazia um jantar em comemoração ao aniversário de 30 anos do irmão mais velho do estudante, Rafael Cardoso. Por telefone, souberam que ele havia sido socorrido às pressas ao Hospital Universitário e passaria por cirurgia. O estudante havia ligado antes, se desculpando porque não poderia perder a aula daquela noite.

Por pouco, a bala não atingiu o pulmão de Alexandre, que está internado em um quarto do HU. O estado de saúde dele é estável e não há risco de morte. O estudante, no entanto, sente dificuldades para respirar e falar, segundo a família, e deve ficar em observação por até cinco dias no hospital. "Temos de torcer pela recuperação dele. Que ele não tenha febre, nem nenhuma infecção. Depois, é o mais duro: vida que segue", diz Alberto.

Após visitá-lo na manhã de ontem, a mãe, o pai e o irmão de Alexandre estavam visivelmente abalados. "Se fosse comigo, que vivi minha vida e já estou aposentado, tudo bem. Mas com ele, não. Filho é Filho", afirma Alberto.

Formado em Direito, Alexandre atua como advogada há pelo menos quatro anos e presta sua segunda graduação. "Ele quis fazer Letras porque gosta de literatura e de dar aula", conta a cunhada dele, Sara Andrade, de 23 anos. De acordo com familiares, o estudante deu aulas em projetos sociais em Paraisópolis, na zona sul.

"Ele é um homem honesto, trabalhador", diz a sogra Cinira Andrade, de 56 anos. "Seu filho vai para a faculdade e não volta para casa? Quando a gente é mãe não quer que nada aconteça ao filho, nem um beliscão, quanto mais um tiro?"

Atualmente, Alexandre mora com a namorada, a jornalista Ive Andrade, de 27 anos, na região do Jardim Paulista. A família afirma que ela passou mal ao saber do assalto, mas não quer culpar pelo crime a segurança da USP, nem os adolescentes suspeitos de terem atirado no estudante.

Câmeras. No local em que Alexandre foi baleado, não há câmeras de monitoramento instaladas. As únicas imagens do crime foram feitas de celular por estudantes. A Polícia Civil, porém, afirma que não precisaria das imagens porque as investigações foram concluídas com a apreensão dos três adolescentes, reconhecidos por testemunhas e encaminhados para a Fundação Casa.

Um dos menores de 16 anos é apontado como o autor do disparo que atingiu Alexandre. Segundo investigadores, o jovem já foi reconhecido por diversos outros crimes de roubo dentro do câmpus da USP. Os outros adolescentes têm 16 e 17 anos. Os três foram pegos por policiais militares tentando fugir em dois ônibus.

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