'Meu ânimo não é punir, mas não dá para perdoar'

Governador avalia que reivindicação dos policiais é justa, mas que não há condições de o Estado bancar a proposta

Entrevista com

TIAGO DÉCIMO / SALVADOR, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h03

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), diz que a greve tem como pano de fundo um movimento nacional pela aprovação da PEC 300.

Como recebeu a greve?

A gente se surpreendeu. Eu tinha acabado de anunciar aumento de 6,5% de reajuste para todo o funcionalismo, a partir de 1.º de janeiro. A forma de se obter melhores salários não pode ser com os métodos empregados por esse movimento - e em outros que o antecederam, como no Ceará e no Maranhão.

Há relação entre movimentos?

Parece que há uma cartilha, um movimento nacional que tem como pano de fundo a aprovação da PEC 300. Seria um piso de R$ 4,5 mil para todos os policiais militares. Todo mundo quer ganhar um salário melhor e a função de segurança é delicada, mas desde os governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, a sociedade entendeu que a responsabilidade fiscal é fundamental. Já conversei com vários governadores: o pedido não se encaixa no orçamento de 90% ou 100% dos Estados.

Quanto ganha a PM na Bahia?

O salário foi para R$ 2.230. Não é o maior do País, mas está na média para cima. Em cinco anos, demos 29,5% de reajuste à categoria acima da inflação.

E o senhor tem negociado com o comando de greve?

Existe um mandado de prisão contra ele (Marco Prisco), pedido pelo MP e aceito pela Justiça. A situação é complicada até do ponto de vista do Estado de Direito. Existem acusações de saque, de depredação. Ele fica dizendo que, se derem anistia, se suspenderem as prisões, ele encerrará o movimento. A prisão foi decretada pelo Judiciário, não está na minha alçada. Ele deveria se entregar.

Haverá anistia aos grevistas?

A palavra anistia só cabe quando se sai de um regime de exceção. Não é o caso. Meu ânimo não é o de sair punindo todo mundo, mas não há como perdoar quem comete crimes. Contra quem não tiver cometido crimes, não vamos abrir processo.

O senhor não teme que o governo fique refém da PM?

Isso é um tema para reunir os governadores e o governo federal. Há uma preocupação. Vamos viver em um regime de arma em punho? Fazer com que os governadores sucumbam a isso? É uma reflexão profunda, porque se tem um grupo armado se propondo a ir de Estado em Estado, constrangendo a democracia pelas armas.

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