'Meu advogado garantiu que não há nada irregular aqui'

Mesmo sem Habite-se, moradores de imóvel em área contestada até já vendem veículos para poder quitar apartamento

O Estado de S.Paulo

13 Abril 2012 | 03h01

A confusão jurídica que envolve o Loft Morumbi atinge em cheio quem já mora no prédio. Atualmente, metade dos 32 apartamentos do prédio já está vendida e ocupada, mas o prédio ainda não possui o Habite-se - documento emitido pela Prefeitura que regulariza e libera a ocupação do imóvel. Por causa disso, os apartamentos, avaliados em R$ 300 mil, estão sendo vendidos por R$ 200 mil - um desconto de 33%.

A comerciante Juliana Ulhoa Abuhassan, de 35 anos, mora em um apartamento alugado no prédio desde outubro e tem interesse em adquirir um imóvel no local, mas está em dúvida diante do problema. "Eu amo essa rua. É muito sossegada e tem tudo perto: padaria, banco, mercado", disse. " A única coisa ruim é que no verão aparece muito bicho por aqui e nada dá jeito. Já tentei vela de citronela, repelente, nada adianta. E os bichos que aparecem são muito diferentes", disse, referindo-se à mata no entorno.

Sem nenhum receio. O engenheiro aposentado Valter Girnys, de 59 anos, tem certeza de que o Habite-se vai sair. Para ele, não há motivo para a obra ter sido embargada ou estar irregular. "Ninguém compra um imóvel confiando na boa-fé do vendedor. Eu peguei toda a papelada que o vendedor me deu e levei para um advogado da minha confiança conferir. Ele me garantiu que seria muito difícil nos tirar daqui, porque não há nada irregular." Girnys já vendeu um Honda Civic e agora está vendendo um Suzuki para quitar o apartamento.

"Quando vim aqui, me apaixonei pelo lugar, pelo apartamento, por tudo", disse a comerciante Rosana Montenegro, de 39 anos. "Acredito que o máximo que pode acontecer para a gente é perder a garagem." / CAMILA BRUNELLI e R.B.

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