Metroviários querem aumento real e já planejam paralisação

Pela 1ª vez, categoria fala em negociar diretamente com o governador, em busca de um reajuste 'de dois dígitos'

CAIO DO VALLE, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2014 | 02h03

O presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirmou ontem, que, diferentemente de anos anteriores, a categoria não aceitará propostas de reajuste salarial de menos de dois dígitos e os funcionários estão dispostos a decretar greve. Os trabalhadores pedem 35%, mas o Metrô indicou 5,2%.

Hoje, às 18h30, a categoria se reunirá em assembleia para decidir sobre um dia de paralisação. O mais provável é que ocorra no dia 3, mas não está descartada a hipótese de acontecer até mesmo a semana seguinte, em que ocorre a abertura da Copa do Mundo.

De acordo com Prazeres Júnior, a paralisação dos motoristas e cobradores de São Paulo na semana passada exerceu influência nos metroviários. A mobilização dos rodoviários ocorreu mesmo após um reajuste salarial da categoria de 10%. A direção sindical cobra que as tratativas da campanha salarial sejam, pela primeira vez, feitas diretamente com o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e não com a administração do Metrô, que, de acordo com eles, não tem autonomia suficiente para ampliar as contrapropostas.

"Neste ano não vai ser no tribunal (que a situação terá um desfecho)", disse o presidente da entidade. O sindicato aventou ainda a disposição de abrir as catracas no dia da greve, para não prejudicar a população. "Toda vez que a gente fez o desafio da catraca livre, em troca da greve, o governo do Estado diz que tem problema de segurança. Mas está cheio de PM no Metrô, então é um problema de vontade política", disse Prazeres Júnior.

Em reunião realizada ontem, o núcleo de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) fez uma série de propostas e solicitou ao Sindicato dos Metroviários que continue a negociar e não delibere por greve. O Metrô informou que avaliará as propostas do núcleo do TRT e se posicionará hoje.

Bahia. Um acordo entre os sindicatos patronal e dos trabalhadores do sistema de transporte público de Salvador, negociado ontem, impediu a greve dos rodoviários que estava marcada para ter início à zero hora desta terça-feira. Alguns grupos de trabalhadores, porém, dizem não ter participado da decisão e ameaçam manter a paralisação. A contraproposta do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Salvador (Setps) foi apresentada aos trabalhadores no fim da manhã.

Os empresários oferecem 9% de reajuste salarial, aumento de 9% no vale-alimentação e redução da jornada de trabalho de 8 para 7 horas. A reivindicação do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Estado da Bahia (Sintroba) era de 15% nos vencimentos, de 63,5% nos vales e de redução da jornada para 6 horas diárias. / COLABOROU TIAGO DÉCIMO

Mais conteúdo sobre:
Metrô SP São Paulo Greve

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.