Metroviários mantêm greve por tempo indeterminado

Decisão ocorre porque não houve nova proposta da Companhia do Metropolitano de São Paulo

Daniel Gonzales, do Jornal da Tarde,

02 de agosto de 2007 | 18h14

Os metroviários de São Paulo decidiram em assembléia na tarde desta quinta-feira, 2, continuar em greve por tempo indeterminado. Os funcionários não entraram em acordo com a Companhia do Metropolitano à tarde, em mesa de negociação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em torno do pagamento da participação nos resultados (PR) aos 7.500 metroviários.   Só uma linha do Metrô funciona totalmente e duas estão paradas CET suspende rodízio em SP nesta quinta-feira Alternativas para o transporte Acompanhe na Rádio Eldorado notícias sobre a greve   No início da noite, uma assembléia, na sede do Sindicato dos Metroviários, decidiu pela manutenção da paralisação. Como o Metrô não apresentou nova proposta, os trabalhadores consideraram que sairiam derrotados se encerrassem a greve nesta quinta.   Os maiores prejudicados foram os que nada têm a ver com a briga: os passageiros. Durante o dia, milhares de pessoas irritadas, estações superlotadas, espaço de ônibus e trens sendo disputado a tapa, filas intermináveis, falta de informação e catracas desligadas foram cenas vistas ao longo de todos os pontos das quatro linhas do Metrô.   A região mais afetada foi a Zona Leste, servida pela Linha 3-Vermelha (Corinthians/Itaquera - Palmeiras/Barra Funda), cujas 18 estações permaneceram trancadas ao longo de todo o dia. A Linha 5-Lilás (Capão Redondo - Largo Treze) também ficou parada.   As outras duas linhas - a 1 - Azul (Jabaquara - Tucuruvi) e 2 - Verde (apenas entre as estações Ana Rosa e Clínicas) - operaram com frotas de trens de cerca de 60% do normal. Isso foi possível porque, pela primeira vez durante uma paralisação de metroviários, o Metrô contra-atacou os grevistas e convocou uma força-tarefa de emergência para manter os trens circulando, formada por funcionários administrativos e de manutenção.   O esquema será mantido na sexta-feira, nas mesmas linhas, segundo Conrado Grava de Souza, diretor de operações do Metrô. A Linha 3 não vai funcionar porque não há pessoal suficiente para operá-la.   O contingente emergencial chamado foi de 700 funcionários, que ocuparam postos de sinalização, controle e as cabines de operação dos trens. Para a condução das composições, foram chamados instrutores de maquinistas e ex-operadores.   A meta era atender à determinação da Justiça do Trabalho, que ordenou ao sindicato e ao Metrô a circulação de pelo menos 85% da frota. Como o total não foi atingido, o sindicato foi multado em R$ 100 mil pelo Ministério Público do Trabalho.   Tumulto na CPTM   Devido à paralisação, a maioria das estações de trem da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM)  estavam lotadas às 18 horas desta quinta. Na Barra Funda havia filas enormes para embarque nos trens, além de muitas pessoas caminhando no corredor central da estação. As plataformas de embarque também estavam muito cheias .   Já na Luz, a situação era pior. Uma multidão se aglomerava na entrada da Praça da Luz, por conta do fechamento das entradas das ruas Mauá e Cásper Líbero. Segundo a CPTM, as entradas foram fechadas por não comportarem a quantidade de passageiros que procuravam os trens da CPTM e os do Metrô (a Linha 1-Azul, onde fica a estação da Luz, foi a única que operou normalmente durante todo o dia). Policiais Militares foram enviados ao local para tentar colocar ordem e auxiliar na entrada dos cidadãos.   Ônibus   A Secretaria Municipal de Transportes (SMT) e a São Paulo Transporte (SPTrans) colocaram em operação o Plano de Apoio Entre Empresas Frente a Situações de Emergência (Paese).  Para compensar a falta de metrô,  desde a manhã desta quinta, e até o fim da greve dos metroviários, linhas integradas aos terminais do Metrô tiveram seu trajeto estendido até o centro da cidade, além das linhas que se deslocam normalmente. As concessionárias de ônibus operaram com a frota máxima durante todo o dia. Confira as linhas que terão o trajeto alterado.   (Colaborou Fabiana Marchezi, do estadao.com.br)

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