'Metroviários devem voltar imediatamente ao trabalho', afirma governador

Alckmin ainda considerou "um absurdo verdadeiro" o descumprimento da liminar concedida pela desembargadora Rilma Aparecida Hemérito

Luiz Fernando Toledo, O Estado de São Paulo

08 de junho de 2014 | 14h17

SÃO PAULO - Em agenda para inaugurar nova pista marginal da rodovia Ayrton Senna, na manhã deste domingo, 8, o governador Geraldo Alckmin afirmou que não há chance de os metroviários continuarem com a paralisação. "Não vejo nenhuma hipótese de não voltar ao trabalho. Já houve a decisão do TRT quanto às duas coisas que aguardava-se uma decisão. Uma, a abusividade da greve, decretada por oito a zero. A segunda, o dissídio, também já fixado no valor que o metrô ofereceu, 8,7%", disse.

Para o governador, os metroviários devem "voltar imediatamente" ao trabalho. Questionado pelo 'Estado' sobre se, após a decisão do TRT, ainda haverá negociação com a categoria, Alckmin ponderou que "sempre existe o diálogo, agora, tudo tem um limite". 

Alckmin ainda considerou "um absurdo verdadeiro" o descumprimento da liminar concedida pela desembargadora Rilma Aparecida Hemérito, na última quarta-feira, que determinava a manutenção de 100% de funcionamento do metrô nos horários de pico e 70% nos demais horários. "O tribunal foi muito claro", disse o governador. 

"No fundo foi um prejuízo para a população que ficou sacrificada, porque o metrô responde por quase 4,8 milhões de passageiros/dia, e sem ganho para a categoria", ponderou Alckmin. Ele ainda afirmou que a maioria dos que fecharam as entradas do metrô não eram grevistas. "80% não eram metroviários, eram pessoas de outros movimentos, que estavam ali fazendo um movimento de conotação política", argumentou.

O governo considera as reivindicações dos grevistas acima do limite. "Todos os anos o metrô teve reajuste acima da inflação, ganho real, além dos demais benefícios. Diálogo sempre temos". Para Alckmin, houve quase uma 'invasão" do centro de controle de operações do metrô, além do descumprimento da decisão judicial. 

Greve não foi descartada. Por unanimidade, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) considerou a greve abusiva e decidiu manter a multa de R$ 100 mil por dia ao sindicado dos metroviários e sindicato dos engenheiros, que representam as categorias que estão em greve desde quinta-feira, 5. 

O presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, no entanto, não descartou a possibilidade de manter a paralisação. "Nós vamos falar com os trabalhadores para saber a opinião deles. Quem vai decidir se a greve continua ou não não é o sindicato e sim a categoria", disse Altino. A Assembleia está marcada para às 14h.

Ação da PM. Vídeo divulgado nas redes sociais mostra o conflito da Polícia com grevistas e manifestantes na estação Ana Rosa, linha 1 - Azul do metrô. Lá, os grevistas  batem boca com os PMs e pedem que um deles "abaixe a arma". Os policias estavam equipados com bombas de gás e balas de borracha. "Aqui é trabalhador. Ninguém está fazendo nada!", afirmou um dos grevistas no vídeo, segundos antes do início da briga. Sobre o episódio, Alckmin repetiu os argumentos de que houve tentativa de invasão do centro de controle de operação do metrô, mas não confirmou se houve abuso das autoridades.

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