Metroviários desafiam Justiça e param hoje; 2 linhas da CPTM aderem à greve

Liminar exige 100% dos trens do Metrô em horário de pico, mas só Linha 4 deve funcionar; paralisações afetarão pelo menos 3,5 milhões

BRUNO RIBEIRO, JULIANA DEODORO, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2012 | 03h02

Os metroviários decidiram na noite de ontem parar, a partir da 0h de hoje, a circulação dos trens em todos os ramais da rede, exceto a Linha 4-Amarela (Luz-Butantã), que pertence a outro sindicato. Os ferroviários das Linhas 11-Coral (Luz-Mogi das Cruzes) e 12-Safira (Brás-Calmon Viana) da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), incluindo o Expresso Leste, também anunciaram greve.

A paralisação no sistema de trens pode prejudicar 3,5 milhões de pessoas por dia. Para evitar grandes transtornos aos passageiros, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2.ª Região determinou em liminar que os sindicatos mantenham 100% de operação no horário de pico, das 5h às 9h e das 17h às 20h, e 85% no resto do dia. Mas o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, disse ontem à noite que os metroviários não vão cumprir a decisão da Justiça. "E vamos recorrer da multa", afirmou.

A multa diária, de R$ 100 mil, também foi estabelecida na liminar da desembargadora Anélia Li Chun, vice-presidente do TRT da 2.ª Região, que conduziu ontem a audiência de conciliação entre Metrô e funcionários. Ela proibiu a prática de liberar catracas - que chegou a ser defendida por trabalhadores.

Impasse. Na audiência de ontem, o Metrô melhorou pouco a proposta de aumento real, de 0,5% para 1,5%, mas não avançou nas demais cláusulas. "Com essa atitude, as empresas esperam que, à luz do bom diálogo havido até o momento, as duas categorias não tomem atitudes que castiguem a população trabalhadora de São Paulo", informou, em nota, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos. Os índices propostos pela Justiça também não resultaram em acordo.

Metroviários chegaram a admitir negociação do porcentual de reajuste, desde que a companhia aceitasse mudar as regras de pagamento da participação nos resultados. Pela manhã, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, destacou que o Metrô poderia reavaliar os valores dos benefícios, como vale-alimentação e vale-transporte. Mas esses valores ainda ficaram abaixo dos sugeridos pelo sindicato e pela Justiça.

O presidente do Sindicato dos Metroviários disse que a categoria não tinha interesse em paralisar o transporte. "Mas é a única maneira de nossos trabalhadores se manifestarem", ressaltou. Nova assembleia está marcada para o meio-dia de hoje para avaliar os rumos da paralisação. "Esperamos um posicionamento melhor do Metrô até lá", disse Prazeres Júnior.

No caso da CPTM, a definição de greve, até a noite de ontem, estava restrita às Linhas 11 e 12 - a companhia tem três sindicatos. A exemplo dos metroviários, ferroviários também haviam proposto liberação de catracas, o que foi negado pela CPTM. As assembleias dos outros sindicatos estão marcadas para as 16h de hoje.

Outros Estados. Crise semelhante é vivida em Belo Horizonte e outras três capitais. Metroviários do Recife, de Natal e de Maceió pedem reposição da inflação e benefícios sociais da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU).

A CBTU não fez contraproposta e disse que um acordo coletivo está em negociação.

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