Metroviários decidem parar no dia 5

Sindicalista diz que proximidade da Copa pode influenciar governo estadual; categoria pede 35,47% de aumento e Metrô oferece 7,8%

MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2014 | 02h04

Os funcionários do Metrô de São Paulo vão entrar em greve a partir do dia 5 de junho. A decisão foi tomada ontem à noite, durante assembleia na sede do Sindicato dos Metroviários, no Tatuapé, zona leste da capital. A proximidade da Copa do Mundo, a partir do dia 12, é usada também como trunfo para pressionar a companhia a elevar o índice de aumento salarial.

"Nós estamos respeitando o calendário de lutas, mas não podemos negar que neste ano a Copa pode exercer uma influência maior no governo", disse o diretor de Comunicação do sindicato, Tiago Pereira. O metrô é um dos principais meios de transporte até a Arena Corinthians, onde será realizado o jogo de abertura do Mundial.

A companhia propôs na tarde de ontem aumento de 7,8%, maior do que os 5,2% oferecidos inicialmente. Os funcionários, que pedem 35,47%, recusaram a proposta. Anteontem, em audiência, o TRT havia orientado o Metrô a conceder reajuste salarial de 9,5% aos funcionários. Nova reunião será realizada no tribunal no dia 4.

O diretor do sindicato disse que a entidade propõe a abertura das catracas no dia da greve, para não prejudicar a população, mas é necessária a autorização do governo do Estado. "O Metrô não aceita e diz que pode demitir os funcionários. Por isso, pedimos permissão ao governo", afirmou Pereira.

Em meio ao anúncio do sindicato, o Metrô informou ontem, por meio de nota, que "reafirma sua disposição em continuar negociando com a categoria de forma a chegar a um acordo satisfatório para todas as partes". A companhia ainda afirmou que "confia no cumprimento da recomendação do TRT para que as entidades representativas da categoria não deliberem sobre greve enquanto perdurarem as negociações junto ao Núcleo de Conciliação do Tribunal (cláusula de paz)".

O presidente do entidade, Altino de Melo Prazeres Júnior, no entanto, já havia afirmado anteontem que, diferentemente de anos anteriores, a categoria não aceitaria propostas de reajuste salarial inferior a dois dígitos. Os metroviários estavam, desde o dia 20 de maio, em estado de greve. Já foram feitas cinco reuniões de negociação.

A última greve da categoria aconteceu em maio de 2012, quando houve reajuste de 6,17% para encerrá-la.

Influência. A greve dos motoristas e cobradores de ônibus na semana passada influenciou os funcionários do Metrô, segundo o presidente do sindicato. A mobilização dos rodoviários aconteceu mesmo após ser concedido um reajuste salarial à categoria de 10%.

Há algumas semanas, os metroviários estão usando, em algumas estações, coletes da campanha pelo aumento de salário. Os funcionários também estão boicotando a Operação Plataforma, que visa a organizar o embarque e o desembarque, o Embarque Melhor, que restringe o embarque em estações movimentadas, e o Embarque Preferencial em todas as estações.

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