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Metroviários de São Paulo devem cancelar greve

Empresa reapresentará em 20 dias propostas trabalhistas para a categoria que sinaliza parar na quinta-feira, 4

Caio do Valle - Jornal da Tarde,

02 Outubro 2012 | 17h02

Texto atualizado às 18h22.

SÃO PAULO - Uma audiência de conciliação entre o Sindicato dos Metroviários e o Metrô de São Paulo na tarde desta terça-feira, 2, culminou na decisão de que a empresa reapresentará em 20 dias propostas trabalhistas para a categoria, que sinaliza com uma greve para a próxima quinta-feira, 4.

A medida foi apresentada pela desembargadora Rilma Aparecida Hemetério, do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região, que sugeriu que não haja nenhuma paralisação durante este período. Porém, o presidente do sindicato, Altino de Melo Prazeres Júnior, afirmou que essa decisão ainda será tomada pelos metroviários, em uma assembleia programada para a tarde desta quarta-feira, 3. Se os trabalhadores acatarem o prazo proposto pela Justiça, a greve não acontecerá na quinta-feira.

Segundo apurou a reportagem, a tendência da diretoria do sindicato é orientar a categoria a suspender a greve. Isso, para que não haja conflito com a própria Justiça, que prevê pena de R$ 100 mil reais por dia em caso de greve geral dos metroviários. Uma liminar garante ao Metrô que, em caso de deflagração da greve, os funcionários devem manter 100% do efetivo durante os horários de pico e 90% nos demais períodos do dia.

Durante a audiência, a desembargadora chegou a criticar a indisposição de ambos os lados de abrir concessões para evitar a greve. "Os dois fincaram o pé nas suas propostas e não avançam um centímetro."

A última paralisação do Metrô de São Paulo ocorreu em 23 de maio deste ano, por motivos relacionados à atual pauta de discussão.

Entre as reivindicações dos metroviários, está o pagamento da participação dos lucros e resultados (PLR) em fevereiro em vez de abril, como quer o Metrô, melhorarias na jornada de trabalho e equiparação salarial.

Eles também pedem que a divisão da PLR seja igual entre todos os funcionários. "Querem pagar até quatro vezes mais para quem já ganha altos salários", revela a carta aberta entregue aos passageiros nas estações na manhã desta terça-feira. O texto também propõe o uso de catracas livres se a greve for adotada, provocando o governo do Estado.

Em nota, o Metrô informou que "mantém sua disposição de negociar" e que "estranha a decisão, tomada por um grupo inexpressivo de sindicalistas, de precipitar uma greve inútil para a categoria e cruel para a população".

Um dos advogados do Metrô, Nelson Mannrich, afirmou que o Metrô é uma das empresas que melhor paga vencimentos em São Paulo. Sobre a PLR, ele disse que se trata de um instrumento de gestão interna. "Essa questão não será resolvida com uma faca no pescoço nem às vésperas de uma eleição."

Criticado de que a paralisação teria um caráter eleitoreiro, por ocorrer muito perto do dia da votação do primeiro turno, no domingo, 7, o Sindicato dos Metroviários afirma que a data praticamente coincide com o fim do prazo estabelecido em maio para que o Metrô apresentasse suas propostas.

"O prazo de 120 dias, acertado no Tribunal Regional do Trabalho para encerrar a greve de maio, acabou em setembro e o Metrô e o governo do Estado se negam a buscar uma PR (participação nos resultados) igualitária, melhorar a jornada de trabalho e equiparar salários", informa a carta aberta do sindicato.

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