Metroviários aceitam pedido e adiam ameaça de greve para o dia 4

Caso proposta não avance, sindicato promete paralisação mais ampla, com CPTM e Sabesp

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

27 Maio 2013 | 20h27

Os funcionários do Metrô decidiram adiar para o próximo dia 4 a greve da categoria que estava marcada para esta segunda-feira (27). A decisão veio depois de uma audiência de conciliação, realizada durante a tarde no tribunal Regional do Trabalho, na Rua da Consolação, no centro, que terminou sem acordo. O adiamento ocorreu a pedido do Metrô, que ficou de analisar a possibilidade de melhorar a proposta salarial apresentada aos metroviários, e que tinha previsão de aumento de 6,42%.

O Metrô concordou em fazer uma proposta melhor depois de a juíza que acompanhava a audiência, Rilma Hemétério, afirmar que outras negociações julgadas pelo TRT, e que acabaram sem acordo, tiveram índices de reajuste maiores. Ou seja: se o Metrô mantivesse a proposta, poderia sofrer uma derrota na Justiça. A juíza sugeriu um percentual de cerca de 8% (o sindicato pedia 14,16%) para que ambos analisassem. Ao ouvir a proposta, os representantes do Metrô se retiraram da sala de audiência e ficaram cerca de 30 minutos no fundo do corredor do primeiro andar do TRT, ao telefone. Ao voltarem, pediram um adiamento da reunião para fazer cálculos e verificar se havia possibilidade de acordo.

O gerente de Recursos Humanos do Metrô, Alfredo Falchi, afirmou, entretanto, que não poderia dar aumento global (incluindo benefícios como vale-alimentação e vale-refeição) maior do que 6,67% por causa do reajuste da tarifa. "Como o reajuste deveria ter ocorrido em fevereiro e não ocorreu, por razões que não me cabe comentar, já estamos em uma situação grave (financeiramente)", afirmou o gerente. O reajuste foi adiado por decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que aceitou pedido da presidente Dilma Rousseff de postergar o aumento para conter a inflação.

Greve geral. Na assembleia do sindicato, no começo da noite de ontem, o presidente do sindicato dos metroviários, Altino dos Prazes, afirmou que seria interessante adiar a paralisação para fazer uma greve maior no dia 4, incluindo os funcionários da CPTM e da Sabesp. "Se a proposta não avançar, faremos uma greve nos serviços públicos essenciais do Estado", afirmou. Ambas as categorias estão em negociações salariais emperradas. Havia representantes de dois sindicados da CPTM na audiência de ontem. A empresa têm três sindicatos (cada um de uma das empresas que existiam antes de a CPTM ser fundada, na década de 1980). Prazeres também tem acompanhado as assembleias dos ferroviários.

A greve do ano passado, que ocorreu mesmo depois de a Justiça determinar multa de R$ 1 milhão por dia, o sindicato saiu vitorioso: no mês passado, uma outra decisão judicial livrou a categoria do pagamento da penalidade. Juntos, Metrô e CPTM transportam cerca de 7 milhões de pessoas. A Linha 4-Amarela, cuja operação é feita pela empresa privada ViaQuatro, e os funcionários são representados por outro sindicato, não está participando desta negociação.

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