'Metrópole' no Dia Mundial sem Carro

Equipe do caderno e outros jornalistas do 'Grupo Estado' descrevem experiência

22 de setembro de 2010 | 21h12

 

SÃO PAULO - No Dia Mundial Sem Carro, a equipe do caderno Metrópole e outros jornalistas do Grupo Estado deixaram seus veículos em casa. Para chegar à redação, no bairro do Limão, valeu tudo: do skate à carona. Ao todo, foram 100 quilômetros percorridos em diversas regiões da cidade. Os problemas enfrentados foram os mesmos de milhões de paulistanos. Leia abaixo o depoimento dos jornalistas:

 

"Vim para o trabalho de skate. Ok, concordo que é um meio de transporte pouco usual, mas após os 35 minutos entre minha casa e o Estadão comecei a pensar que o skate poderia muito bem ser utilizado com mais frequência pelos paulistanos. Isso, no entanto, não significa que não houve percalços no trajeto. Eles existiram, e foram muitos. Em primeiríssimo lugar, estão as calçadas esburacadas e desniveladas que encontrei no caminho e que me fizeram carregar o skate nos braços em vários trechos. Existe uma lei municipal que determina que todos os passeios devem ser padronizados e acessíveis, mas ela não é nem cumprida pelos proprietários dos imóveis nem fiscalizada corretamente pela Prefeitura. O resultado é que as calçadas são quase uma colcha de retalhos - e, se eu tive problemas com o skate, imagine quem precisa passar por esses locais numa cadeira de rodas?" / RODRIGO BURGARELLI

 

 

"O motorista do Range Rover a Diesel acelera para pegar velocidade na subida do Viaduto do Pacaembu, soltando uma fumaça que mais parece efeito especial de filme catástrofe. Como a calçada ali tem praticamente o espaço para os dois pés, a caçamba de um caminhão passa a um palmo do meu ombro. A tentação de entrar no ônibus e abandonar a enobrecedora tarefa de vir a pé para o jornal, no Dia Mundial Sem Carro, cresce.

Faltam dois terços para completar o percurso entre a Avenida Higienópolis e a Engenheiro Caetano Álvares. O pavimento e a paisagem pioram a cada passo. É calçada esburacada, asfalto quente e, no horizonte, nada de vegetação ou monumentos que distraiam a visão.

Mas não adianta dizer que andar a pé pela cidade pode ser tóxico, por causa da poluição. Dr. Luiz Alberto Amador Pereira., médico pesquisador do laboratório de polução da Faculdade de Medicina da USP, avisa aos sedentários que "o efeito da caminhada para o físico supera em muito o risco de exposição ao poluente atmosférico urbano". "O ideal é fugir do horário de pico."

Procuro lembrar disso ao cruzar, por cima, a Marginal do Tietê. Ali, a fumaça parece estar na altura das narinas: abaixo o queixo para escapar e vejo uma espuma amarelada na superfície do rio. A ponte treme à passagem dos carros.

Penso que o médico disse ainda que, para a caminhada ter efeito, é preciso fazê-la com regularidade. "Senão é como o jogador de futebol de final de semana. Um dia enfarta e não sabe porquê."

A vontade de fazer exercício físico está aumentando..." / PAULO SAMPAIO

 

"Chefe, cheguei atrasado, mas comecei a trabalhar antes do horário de rotina. Às 7h15, em vez de preparar o café antes do banho, eu já estava na rua. E na rua fiquei por 36 minutos, no ponto de ônibus na Avenida Pompeia. Eu, um grupo de senhoras tão simpáticas quanto indignadas com a demora do coletivo, uma empregada constrangida de repetir à patroa que o transporte atrasou e um estudante que parecia pensar mais em voltar para casa que ir à aula esperamos 20 minutos pelo Jardim Pery Alto.

Cheguei no jornal às 8h18, um atraso de 18 minutos que você entende, não é, chefe? Afinal, passei mais da metade dessa jornada na rua, que é o nosso verdadeiro local de trabalho. Mas pode deixar que eu venho de carro hoje, fazendo de conta que um pequeno atraso e um pouco de poluição não atrapalham ninguém..." / IURI PITTA

 

"A proposta de me deslocar de bicicleta do Paraíso para o Limão soou como um desafio. Teria de descobrir um caminho que escapasse dos ônibus - daí exclui a Avenida Paulista do trajeto -, mas sabia que não fugiria dos buracos. E, pode ter certeza, em cima de uma bike, eles se multiplicam e parecem bem maiores do que quando se está dentro de um carro.

De bike, sabia também que não fugiria da poeira, do barulho e do trânsito. E com todos esses fatores, e sem ciclovia em nenhuma parte do caminho, pedalar deixou de ser um prazer. A cidade me pareceu ainda mais suja. Mas o caminho teve boas surpresas. Vários motoristas buzinaram dando os parabéns, pelo iniciativa no Dia Mundial sem Carro." / VALÉRIA FRANÇA

 

 

"Quinze minutos subindo as ladeiras da Pompeia, caminhando sob sol quente em ruas sem sombra e cheias de poeira. Uma hora depois, cheguei atrasado no serviço e tive que trabalhar suado (ainda bem que o meu perfume é francês). O percurso a pé demorou seis vezes mais do que o de carro. Só repetirei o martírio se o chefe mandar." / BRUNO PAES MANSO

 

"Dia sem carro e sem guarda-chuva. Pior do que deixar o carro de lado é descobrir que o guarda-chuva não está na lavanderia, não está no carro ou na bolsa. Isso um dia depois de Guarulhos ficar submersa em granizo. No caminho até o ponto de ônibus na Avenida Pacaembu era visível que a cidade inteira resolvera ignorar o Dia sem Carro. O ponto de ônibus vazio às 8 horas era a prova eloquente de que o paulistano decidiu permanecer como de costume: atrás do volante. Foram doze minutos até o ônibus aparecer. O trajeto de dez minutos de duração quando feito de carro virou meia hora, tempo suficiente para ler algumas páginas de um livro e chegar (seco) ao trabalho." / MARCELO GODOY

 

"Saí de casa pontualmente às 10 horas para pegar o ônibus Jardim Peri Alto, com direção ao Terminal Barra Funda. Esperava chegar lá em dez minutos e pegar o fretado para o Estadão das 10h30. Como a estação fica próxima do jornal, teria tempo de sobra para a reunião das 11 horas. Mas, ao contrário do planejado, às 10h30 continuava esperando no ponto de ônibus.

Já tinham passado três Lapas e um Vila Monumento e nada de o Peri Alto aparecer. Como já havia perdido o fretado, refiz os planos e decidi seguir até a Barra Funda e lá tomar uma lotação. Mas às 10h40 continuava no ponto. Preocupada, vi um outro Lapa se aproximando com itinerário diferente e ponto final na Barra Funda. Entrei. Mal sentei e descobri que o ônibus daria a volta no bairro de Perdizes inteiro antes de seguir para o terminal.

Às 10h50, já à beira do desespero no trânsito parado - faltavam dez minutos para a reunião -, pedi ao motorista para abrir a porta antes do ponto e desci. Atravessei a rua e tomei um táxi no sentido contrário. Cheguei às 11h03 no jornal." / LUCIANA GARBIN

 

"Depois de terminar uma pauta, subi a pé a Rua Augusta, a partir da Alameda Tietê. No sol a pino do meio-dia, parei um instante na Alameda Santos para comprar o "almoço" numa lanchonete. Cheguei esbaforida. Depois de dez minutos me recuperando no ar condicionado, segui com meu lanche na mão até o metrô Consolação, na Avenida Paulista. O percurso todo, com a parada, levou cerca de 15 minutos. Logo o trem chegou.

Como o horário não era de pico, consegui ir sentada até a primeira baldeação, na estação Paraíso. Troquei para a linha azul, que também não estava muito cheia. Fui sentada até a Sé. Mais uma baldeação, desta vez, para a linha vermelha, em direção a Palmeiras/Barra Funda. Mesmo sendo o trajeto mais lotado, naquela hora também não estava muito cheio e vim confortavelmente. Levei entre 20 e 25 minutos.

O percurso final fiz de micro-ônibus, o Jardim Eliza Maria. Pequeno e lotado, com janelas apenas na parte superior do veículo, o calor era grande. Mesmo sentada e durando apenas 10 minutos, foi a parte mais desconfortável de todo o caminho. Tempo total de 1 hora.

Conclusão: apesar da aparente tranquilidade, sei que em outros horários não teria sido assim. Além disso, andar a pé, fazer duas baldeações de metrô e ainda pegar um ônibus, não é a melhor opção para quando se está com pressa. Se tivesse um carro, provavelmente, viria motorizada." / DIANA DANTAS

 

"Fora o peso da mochila com toalha e roupa do trabalho, foi uma feliz surpresa. Levei uma hora no percurso que faço de carro em sete minutos, entre o centro e o bairro do Limão. A única dificuldade mesmo é atravessar as alças da Marginal Tietê, que não possuem faixas de pedestres. Do alto da ponte que cruza o rio, com caminhões jogando fumaça na sua cara a meio metro de distância, a cidade parece mais opressora do que nunca. Mas em seguida, nas ruas estreitas da Casa Verde pelo meio da zona norte, o caminho teve lapsos interioranos que compensaram a troca." / DIEGO ZANCHETTA

 

 

"A zona sul é de longe a pior região servido por transporte público. Para vir do Alto da Boa Vista para o jornal, as opções eram uma pior que a outra - três ônibus; ou dois ônibus mais duas linhas de metrô diferentes; ou duas linhas de trem e um ônibus. Ainda defendo que, quanto mais as pessoas andarem a pé pelas ruas e utilizarem ônibus e metrô, melhor será a cidade, maior será a preocupação com o urbanismo de São Paulo. Mas comparando distâncias, percebe-se na realidade que a própria distribuição do transporte público paulistano acaba virando um incentivo para andar de carro.

No fim das contas, fui para o jornal de trem, um percurso tranquilo, mas extremamente longo e lotado. Ainda bem que consegui carona para voltar à noite para casa." / RODRIGO BRANCATELLI

 

"Não foi difícil, mas não é fácil. Para quem mora fora da Capital, ir para o trabalho sem o carro é ainda um pouco mais complicado, mesmo para quem tem a sorte de não precisar o transporte público nos horários de pico. Para conseguir cumprir o compromisso de uma reunião às 11 horas no jornal, que fica no Bairro do Limão, planejei sair de casa, em São Caetano, uma hora mais cedo do que normalmente faria.

Uma queda de energia atrapalhou um pouco os planos (tive de descer e subir 15 andares ao perceber que tinha esquecido o celular no quarto). Mais 15 andares de escada, cinco quadras a pé até o ponto, na Avenida Goiás, perto da General Motors. É um local de passagem dos ônibus de boa parte do ABC, o que facilita a vida. Em menos de 1 minutos lá estava o ônibus com a placa Sacomã (iria para lá pegar o Metrô ou o Fura Fila). Eram 9h20. Me assustei ao subir pela porta da frente, com o dinheiro na mão, me deparar com um cobrador.

Completo 53 anos hoje e há uns 30 não andava com um ônibus das linhas regulares em São Paulo. Eu que fui um grande usuário do serviço na juventude, só voltei a usar ônibus em cidades europeias e americanas. Daí meu espanto com o cobrador, profissão há muito extinta no resto do mundo. Ele recebe meus R$ 10 e brinca que não terá troco para a passagem de R$ 3,20. Tem, claro. Cobrador. Cobrador e guia. A cada instante um passageiro pede alguma informação sobre a localização de algo no caminho. E o maranhense de Caxias Viriano de Souza está lá para orientá-los a se achar numa cidade cada vez mais bruta, enorme, difícil. Às 9h29, cabe a ele me orientar como devo fazer para pegar o Fura Fila sem pagar mais uma passagem.

Subo na bonita estação, faço em 1 minuto meu primeiro cartão do Bilhete Único, que mesmo sem ser carregado me fará andar de graça no ônibus do Fura Fila (Expresso Tiradentes). Economizo os R$ 2,70 do tíquete. Chego à plataforma às 9h40, com um painel anunciando que a próxima partida será 4 minutos depois. Ela acontece em ponto. O trajeto é rápido. Às 9h56 desembarco na estação Metrô Pedro II. Atravesso pela passarela o sujo Tamanduateí. Dali observo a Ligação Leste-Oeste no Dia Mundial Sem Carro congestionada como sempre. Paro para fumar um cigarro.

Como não carreguei o Bilhete único, gasto R$ 2,65 num tíquete único do Metrô. Embarco às 10h05 num trem quase vazio da Linha Vermelha (ontem estava um caos neste trajeto). Consigo um assento. Às 10h14 desembarco na estação Palmeiras/Barra Funda. Tenho dificuldade para descobrir a plataforma onde para o ônibus fretado que me levará para o Estadão. Este é um ponto fraco do transporte coletivo. As informações são poucas e precárias.

Encontro colegas de trabalho e acho a plataforma. O ônibus atrasa 6 minutos, a temperatura no interior beira os 50 graus, mas às 11h50 chego ao trabalho. 90 minutos num trajeto que faria de carro em 50. Mas sem sustos, tranquilo. O que não imagino é voltar para casa à meia-noite sem carro. Desculpem os idealistas, mas, bom, ainda bem que não é a noite sem carro..." / ROBERTO GAZZI

 

"Fazia pelo menos uns 10 anos que eu não pegava carona. E a falta de prática me fez passar vergonha por uns cinco minutos com o polegar erguido na Avenida Paulista. Depois decidi abordar os motoristas nos semáforos, mas aí quase todos fechavam os vidros quando eu me aproximava. O melhor era esperar ao lado de carros estacionados e pedir quando os donos chegavam. Fiz isso. Mas aí descobri que ninguém daquela região costuma ir para a Marginal do Tietê - pelo menos é o que me diziam.

A situação não melhorava quando eu dizia que também serviam as Avenidas Doutor Arnaldo, Pacaembu ou Sumaré - não me importava de pegar duas ou três caronas. Resolvi ir caminhando até a Avenida Sumaré e tentar a carona por lá. Impossível que os motoristas seguindo no sentido da Marginal do Tietê não fossem para perto da Marginal do Tietê. Três motoristas derrubaram a minha lógica. Mas aí surgiu o administrador de empresa Walter Hus, de 58 anos, parado no acesso para a Avenida Sumaré ao lado da Praça Ricardo Ramos. Ele seguia para a Marginal do Tietê. "Se fosse à noite era bem provável que eu não parasse. Quando era adolescente eu ia de carona para a casa de campo dos amigos em Ibiúna. Mas hoje a história é outra, é preciso ficar atento."

Walter Hus me deixou perto da Ponte Júlio de Mesquita Neto. Já conseguia ver o prédio do Estado ao longe. Mas essa foi a pior parte do trajeto: calçadas ruins, fumaça no rosto e um trecho perigoso ao lado de uma favela. Uma hora e quarenta minutos de viagem... uma hora de atraso para o trabalho. / RENATO MACHADO

 

"Pelo menos não estava chovendo. Contados, da hora em que apertei o botão do elevador até a chegada ao ponto de ônibus, 778 passos, 15 minutos. Da Rua Fernão Dias à Teodoro Sampaio, em Pinheiros. Normalmente, caminho 52 passos da porta do apartamento ao carro estacionado na garagem do prédio.

Eu ainda olhava a plaquetinha suja afixada ali, com os itinerários que cruzavam o local - como há opções para a Barra Funda, meu Deus! - quando o busão azul 117Y - Cohab Antártica chegou. Oba, é nesse que eu vou.

Ótimo, quase vazio. Apenas nove passageiros, o motorista e a cobradora. Na catraca, uma dupla surpresa: meu velho bilhete único, sem uso desde que comprei um carro, há quase dois anos, ainda tem créditos; e a cobrança, portanto, é pela tarifa antiga (R$ 2,30 em vez dos atuais R$ 2,70).

Sentei na janelinha. Dali vi uma moça de nariz adunco lendo, concentradíssima, a edição do Jornal do Ônibus colado no vidro. O texto falava sobre o Dia Mundial Sem Carro, com a chocante informação de que um ônibus transporta o equivalente a 50 carros. OK, este não era o caso daquele 117Y, que trazia apenas doze pessoas, contando comigo, contando com motorista, contando com cobradora. Fato é que o nariz da moça apontava de um jeito tão poético e alinhado o cartaz colado no vidro que este foi o único momento em que me arrependi profundamente de não ter carregado minha câmera fotográfica.

Durante o trajeto - Teodoro Sampaio, Henrique Schaumann, Sumaré, Barra Funda - as pessoas todas ficavam presas a seu autismo musical. Cada qual com seus fones de ouvido. Nenhum diálogo. Nenhum sorriso. Nenhum olhar. Eu não tenho walkman, nem discman, nem tocador de MP3. De modo que anteontem, em meu carro, fiz o percurso até o trabalho ouvindo um CD do Chico Buarque. Mas ontem, no ônibus, aproveitei o tempo para ler um livro do Drummond. Tudo bem, Drummond é bom.

Às 10h05, quando já fazia 25 minutos que havia saído de casa - tempo suficiente para, de carro, chegar até o jornal - eu estava no meio da Sumaré. Nem tinha avistado ainda o Palestra Itália, sede do meu time de coração, com aquela placa onde se lê "Campeoníssimo". O relógio marcava 10h20 quando o ônibus parou no Terminal Barra Funda.

Caminhei 73 passos até avistar, já paradinho ali, o verde 9191 - Jd. Eliza Maria. A sorte estava ao meu lado, pensei, feliz por não perder tempo esperando ônibus em nenhum dos dois pontos do dia.

Dentro do veículo, 14 passageiros, o motorista, o cobrador e o mesmo cartaz do Jornal do Ônibus divulgando o glorioso Dia Mundial Sem Carro. Às 10h25, o motorista pisou no acelerador para o itinerário que passaria pela Rua Quirino do Santos e pelas avenidas Marquês de São Vicente e Ordem e Progresso, cruzaria a Ponte do Limão, pegaria um pequeno trecho da Marginal do Tietê e, por fim, chegaria à Avenida Professor Celestino Bourroul, onde fica uma das entradas do Estadão.

Na equina da Quirino dos Santos com a Marquês de São Vicente, um estridente celular tocou. Para minha surpresa, era do motorista. Para minha surpresa maior, ele atendeu.

A ligação durou pouco. Menos de um minuto. Sua atenção voltou-se, então, exclusivamente ao trânsito, ao trajeto. Eu estava na janelinha, de novo.

Às 10h30, 45 minutos depois de sair de casa, desci na Celestino Bourroul. Em frente ao bar de nosso amigo Johnny - cujo nome oficial, conforme atestam o sem-número de comprovantes do meu cartão de débito é "Bar Amigos do Jhonnys", assim com H entre o J e o O e um S no fim. De lá até a catraca do jornal, mais 112 passos.

Saldo do dia, portanto: 45 minutos, distribuídos entre dois ônibus e 963 passos. Missão cumprida." / EDISON VEIGA

 

"Meu percurso até o trabalho foi relativamente tranquilo, mas durou quase o triplo do tempo que eu levaria de carro. O percurso, em quilometragem, é curto, mas mesmo assim é necessário pegar dois ônibus, já que não há uma linha que vá direto da Avenida Sumaré até as proximidades do jornal sem passar pela estação Barra Funda. Se eu tivesse carro, viria com ele para o trabalho, apesar dos gastos com gasolina e estacionamento. É muito mais cômodo e rápido, o que faz muita diferença para quem sempre sai de casa em cima da hora.

Outro problema para quem usa ônibus são as imensas filas para colocar crédito no cartão do Bilhete Único. Se você não pode esperar e o crédito acabou, o jeito é pagar a segunda passagem. No caminho que percorri, o que mais chama a atenção é a situação dos pontos de ônibus. Os que tem abrigo estão todos pichados e muitos com a listagem de ônibus que passam no ponto arrancadas. Alguns dos que não têm abrigo estão com placas arrancadas ou tortas." / ANA BIZZOTTO

 

"Tenho o privilégio de percorrer os sete minutos que separam a porta do prédio ao ponto de ônibus, que é na mesma rua, por dentro do Parque Esportivo do Tatuapé (antigo Ceret). O curto passeio entre gente saudável já faz parecer que valeu a pena ter deixado o carro para trás. Depois de quatro minutos de espera no ponto, a van sentido Metrô Carrão estaciona às 8h46, completamente lotada. Começo a viagem na escada. Meu otimismo começa a ruir. Uma senhora se espreme ao lado do motorista, deixando os tamancos de lado para descansar os pés. Em 13 minutos a van vence os 2,5 de distância até a estação.

O embarque no vagão é rápido, mas me espremo para passar pelo bloqueio das pessoas que se amontoam na porta. No meio da composição, a situação é mais tranquila. Do Carrão, são 11 estações até a Barra Funda. Na Barra Funda, a van sentido Jd. dos Guedes sai às 9h50, menos de cinco minutos depois que entrei. Antes das 10 horas chego ao trabalho. Tudo em 1h10, o dobro de tempo que faço de carro. Confesso que fiquei com saudade dele. Porque, à noite, tem a volta." / PAULO SALDANA

 

"Normalmente demoro de carro 25 minutos de carro saindo da Paulista até estacionar o carro e chegar no Estadão. Ontem demorei em torno de 43 minutos entre o tempo de esperar o ônibus e chegar na porta do jornal. No fundo, valeu muito a pena." / MÁRCIO PINHO

 

"Uso o transporte público para vir ao trabalho todos os dias. Utilizo uma lotação até a Estação Tatuapé do Metrô, de onde sigo da Mooca até a Barra Funda. Lá, pego outra lotação para chegar à redação. O trajeto todo demora cerca de 45 minutos. Para mim, o maior problema são as lotações -- os ônibus que faziam a linha Mooca - Tatuapé estão cada vez mais raros. No lugar deles, as empresas viárias oferecem veículos pequenos, sempre lotados. Com isso, a viagem de cerca de 15 minutos até a estação do Metrô se torna a parte mais desgastante de todo o caminho. Se tivesse carro, deixaria de utilizar o transporte público até que a situação das lotações no meu bairro fosse resolvida." / GABRIEL PINHEIRO

 

"Se fosse a primeira vez que uso ônibus para percorrer os cerca de 5 quilômetros da minha casa, na Vila Romana, zona oeste, para ir para o trabalho no Limão, na zona norte, ficaria realmente impressionada. Levei cravados 22 minutos, num percurso com direito a dois ônibus e baldeação no Terminal da Barra Funda. De carro, em dias de trânsito "bom", são 15 minutos. Normalmente, porém, fico cerca de 25 minutos, num "acelera-para-acelera" sem-fim. O problema é que nem sempre o ônibus Jardim João 23-Barra Funda passa no exato instante em que eu chego ao ponto, como ontem, nem encontra o corredor da Francisco Matarazzo tão livre. Também tive sorte ao esperar apenas 2 minutos para pegar o 978-L Vila Nova Cachoeirinha, que atravessou uma parte da Marquês de São Vicente, a Ponte do Limão e um trecho da Marginal do Tietê, sentido Castelo, em apenas 5 minutos. Ah, e os ônibus estavam... vazios. Sim, foi um bom, mas bem atípico, eu sei, dia sem carro - e no 'busão.'" / ANA SACOMAN

 

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