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Metrô vira ''área de risco'' com invasão de torcida em dia de jogo

Tumulto assusta os usuários e já há até quem pense em medidas polêmicas, como criação de um ''Choquinho''

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2011 | 00h00

Muitos passageiros do metrô viram praticamente reféns das torcidas organizadas de futebol em dias de clássico, como o que vai ocorrer amanhã na final do Campeonato Paulista. A Companhia do Metropolitano admite não ter equipe especializada em controle de distúrbios, como ocorre na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) desde 2009. Para o Metrô, o treinamento dado a seus agentes é suficiente para conter tumultos. "Torcedores pulam catraca, quebram vidro de vagão, entoam gritos de guerra, fumam, batem nas laterais dos trens e andam sem camisa, o que é proibido", disse um agente de segurança do Metrô, que pediu anonimato, ao descrever a ação dos torcedores.

Na CPTM, uma equipe conhecida pelos funcionários como "Choquinho" foi treinada para conter multidões. Trabalha equipada com escudos, spray de pimenta, balas de borracha e coletes à prova de bala. Em dias de jogos, são elaboradas estratégias de acordo com os times, o número de torcedores e se irão ou não de trem para os estádios. Normalmente, são eles escoltados em pequenos grupos.

Agentes de segurança do Metrô e integrantes do Sindicato dos Metroviários são favoráveis à criação de uma equipe especializada. Mas a questão é polêmica. "Nem entro no trem quando há torcida. Eles pulam dentro do vagão, abaixam as calças e mostram nádegas na janela. Uma bagunça", afirma a atendente de livraria Danielle Cristina, que usa a Estação Barra Funda.

No domingo de Páscoa, quando o Palmeiras enfrentou o Mirassol no Pacaembu, as vendedoras Cíntia de Souza e Dilma Gonçalves presenciaram um quebra-quebra promovido por torcedores na frente da loja Bia Semijoias, na Estação Barra Funda. "Morremos de medo de eles entrarem aqui e quebrarem a loja toda", disse Cíntia.

"O Metrô nunca nos trouxe ocorrências de enfrentamento. A empresa só tem elogiado o comportamento das torcidas", afirmou o promotor Thales Cézar de Oliveira, coordenador do Plano de Atuação Integrada (PAI) do Futebol, do Ministério Público Estadual. Para o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo, é preciso aumentar o número de seguranças.

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