Metrô vai reconstruir galeria de lojas demolida em obra de estação na zona sul

Centro comercial de meio século de existência teve que ceder parte do terreno para construção da parada Adolfo Pinheiro

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2014 | 08h56

SÃO PAULO - O Metrô de São Paulo reconstruirá uma galeria de lojas que precisou ser parcialmente demolida para a construção da Estação Adolfo Pinheiro, da Linha 5-Lilás, em Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. A Galeria Borba Gato, que existe há meio século, perdeu um espaço de mais de 20 metros quadrados para que as escavações ocorressem, a partir de agosto de 2009.

Desde então, com a remoção de seis lojas e o isolamento provocado pelas obras, houve queda na freguesia e no faturamento dos lojistas, conforme o relato do subsíndico do espaço, José Roque de Moraes, de 71 anos (à direita, na foto). "O movimento aqui caiu pela metade, para não dizer que foi uns 60%."

Foto: Caio do Valle/Estadão

Na quarta-feira, 12, quando a estação foi finalmente inaugurada, após sucessivos atrasos e quase quatro anos e meio de obras, cresceram as esperenças de Moraes de que o antigo glamour retorne à Galeria Borba Gato. "Demorou muito, tiveram muito problema de escavação, mas agora abriu."

Ele conta que os lojistas e o Metrô ficaram "de briga" durante quase um ano, porque a empresa controlada pelo governo do Estado queria desapropriar todo o terreno da galeria, ponto de compras tradicional do bairro. Depois de muita insistência e com a influência de alguns deputados estaduais, os proprietários conseguiram fazer com que o Metrô recuasse de sua ideia inicial. Além disso, fez a companhia se comprometer a reconstruir a parte frontal da galeria, que teve que ir abaixo.

O síndico do espaço, Eduardo Tessarotto, de 42 anos (na foto), espera que as obras de recuperação do imóvel comecem em breve, posto que a estação já foi inaugurada.

Entretanto, o Metrô não dá prazo para o início da reconstrução. Em nota, a empresa informou que "se comprometeu em providenciar a reconstrução da galeria na sua forma original ao fim das obras" e que "já tem a aprovação da Prefeitura e está elaborando o edital da licitação" para essa obra. O Metrô não informou quanto gastará, divulgando apenas que o valor a ser gasto será o da proposta vencedora do certame licitatório.

Ainda de acordo com a empresa, 24 comerciantes da área "foram remanejados para um prédio contíguo à galeria" e outros quatro foram desapropriados -- seus proprietários, conforme a companhia, "já receberam os valores referentes à indenização".

Adolfo Pinheiro. As obras da estação começaram em 17 de agosto de 2009. Apesar da entrega, nesta semana, a parada ainda não está 100% completa. Faltam diversos ajustes e instalações em uma das plataformas. Além disso, a parte externa não foi completamente concluída.

Para a professora Maria Elisa Rosas Lorenzetti, de 62 anos, que mora na região, faltam cestos de lixo -- uma atribuição da Prefeitura -- na rua que foi reaberta sobre a estação. "Não colocaram uma lixeira sequer aqui." Ela disse que só será uma usuária mais frequente da linha quando ela chegar à Estação Chácara Klabin, na zona sul, algo previsto para ocorrer em 2016.

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