'Metrô: tira minha vida, mas deixa a minha casa'

Morador põe no asfalto indignação com obra de monotrilho do Morumbi

CAIO DO VALLE , JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2012 | 03h02

"Metrô: tira minha vida, mas deixa minha casa em pé!" A frase, escrita no asfalto na frente de um sobrado no Campo Belo, zona sul, sintetiza o desespero de uma família. O imóvel, ocupado há 40 anos pelas mesmas pessoas, corre o risco de ser demolido nos próximos meses para a construção do monotrilho do Morumbi.

O aviso da desapropriação chegou em março, poucos dias depois do fim de uma reforma de R$ 100 mil, que incluiu o reforço da estrutura, a troca de janelas e portas e a pintura de todas as paredes. "De original, só sobrou o vitrô da sala, dois tanques e o lavabo", conta o matemático Thiago Rodrigo Alves Carneiro, de 32 anos, que vive no local desde o nascimento. Ele contesta a necessidade da desapropriação, alegando que a estação a ser construída ali, a Vereador José Diniz, ficará perto - a cerca de 400 metros - de outra, a Água Espraiada. "Haverá uma sobreposição da oferta."

Entre as preocupações de Carneiro está a saúde da mãe. Isso porque a pensionista Maria Lúcia Craveiro, de 67 anos, vítima de um câncer no braço e nas costas, é muito apegada à residência e está depressiva. "É a casa da minha vida. Só pretendo sair daqui para o mausoléu", afirma, comovida. A família já contesta judicialmente a desapropriação.

O Metrô destaca que a notificação de remoção foi enviada em julho e ressalta que, sempre que necessário, a equipe de atendimento à comunidade presta o devido apoio à família desapropriada.

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