Metrô pode parar se não houver acordo com governo, diz sindicato

Sindicato dos Metroviários de São Paulo irá se reunir nesta quinta com representantes do Metrô; greve será votada na semana que vem

Felipe Tau, O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2012 | 10h53

Atualizada às 15h39

SÃO PAULO - Os metroviários de São Paulo terão na tarde desta quinta-feira, 20, uma reunião que pode definir se a categoria, em estado de greve desde o dia 13, cruza os braços pela segunda vez no ano. Segundo o Sindicato dos Metroviários de São Paulo (Metroviários-SP), está marcado para as 15h um encontro entre o presidente da entidade, Altino de Melo Prazeres Júnior, e representantes do Metrô, na sede da companhia, para discutir algumas demandas feitas pelos funcionários. Às 16h, os sindicalistas farão um protesto em frente ao prédio, que fica na Rua da Boa Vista, 175, centro da cidade.

Os metroviários, que também pararam em maio deste ano, depois de cinco anos sem greves, tem três reivindicações principais: querem que a participação nos lucros seja igual para todos os funcionários e que o pagamento seja antecipado de abril de 2013 para outubro deste ano; pedem a melhoria na jornada de trabalho, compensação das horas extras e equiparação salarial entre empregados com a mesma função.

Um dos diretores da executiva do Metroviários-SP, Dagnaldo Gonçalves, acredita na possibilidade de governo e sindicato chegarem a um acordo ainda nesta quinta. Se isso não ocorrer, porém, uma greve pode ser decretada na próxima quinta-feira, 27, diz ele, quando será feita uma nova assembleia da entidade. "Temos tudo para fechar um acordo, mas caso não seja apresentada proposta nenhuma, com certeza poderá haver uma greve", afirmou Gonçalves.

A última greve dos metroviários, realizada no dia 23 de maio, foi acompanhada da paralisação de funcionários das Linhas 11-Coral e 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Na ocasião, cerca de 3,5 milhões de passageiros foram prejudicados, sendo 2,7 milhões transportados por dia na época pelo Metrô e 850 mil pelas linhas 11 e 12 da CPTM. O trânsito ficou complicado e atingiu 249 km às 10h.

As operações foram retomadas depois de o governo oferecer reajuste de 6,17% aos metroviários.

Outro lado.Em nota, o Metrô informou que seu Programa de Participação nos Lucros de Resultados (PLR) "acompanha as variações salariais existentes na Companhia, com garantia de que nenhum empregado da empresa receberá valor inferior a R$ 4.140,63." O Metrô informa que, se cumpridas todas as metas, o pagamento será feito no dia 30 de abril de 2013.

Em relação às jornadas de trabalho, a companhia afirma que elas são de 36 horas semanais para os turnos de revezamento e 40 horas semanais para os demais empregados. "Nenhum empregado realiza jornada acima de 40 horas", garantiu o comunicado.

Quanto ao pedido de equiparação salarial feito pelo sindicato, o Metrô afirma que realizou 7.061 movimentações salariais entre maio de 2011 e agosto de 2012, das quais 1.143 foram promoções. Segundo a companhia, o Sindicato dos Metroviários entregou no dia 18 uma nova lista de empregados, que está sendo analisada.

Por fim, diz a nota que, em caso de greve, o Metrô pretende "manter o canal de diálogo aberto, como forma democrática de discutir os assuntos de interesse dos metroviários."

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