Metrô para, luz e gás são cortados e pessoas correm cobertas de poeira

Operações de resgate prosseguiriam durante a madrugada; cães farejadores indicaram 2 pontos onde vítimas podem estar soterradas

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h00

Três prédios comerciais vizinhos desabaram ontem à noite no centro do Rio. Os Edifícios Liberdade, de 20 andares, que ficava atrás do Theatro Municipal, no número 44 da Avenida Treze de Maio, e Colombo, de dez andares, na Rua Manoel de Carvalho, viraram uma montanha de escombros. Assim como um prédio de três andares que ficava entre os outros dois. Pessoas cobertas de terra corriam em direção à Avenida Rio Branco, fugindo do local em meio a uma nuvem de poeira.

O desabamento ocorreu por volta de 20h30 e até 1h não havia informação oficial sobre o total de vítimas. Cães farejadores indicaram a presença de dois pontos onde pessoas podem estar soterradas, segundo a Defesa Civil. O prefeito Eduardo Paes (PMDB) foi ao local e disse que provavelmente havia pessoas no prédio quando ele desabou - o Liberdade costumava fechar às 21 horas.

Até o fim da noite, quatro homens e uma mulher feridos haviam sido socorridos - um deles estava dentro de um elevador. Segundo Paes, a princípio não houve explosão e o desabamento não teve relação com vazamento de gás. "Parece que um dos prédios tinha um dano estrutural que causou o desabamento e esse prédio teria levado o outro", declarou. Em outubro, uma explosão no restaurante Filé Carioca, na Praça Tiradentes, centro do Rio, matou quatro pessoas e deixou 17 feridas.

Atônita, a secretária de Cultura do Estado, Adriana Rattes, chegou ao local por volta de 21h30, em busca de informações. Parte do prédio anexo ao Theatro Municipal foi atingido por escombros. Ruas e avenidas próximas foram interditadas e o fornecimento de gás e energia elétrica foi cortado na região. O cenário era desolador, com carros e pessoas cobertos de terra. Ainda sem informações concretas sobre o que pode ter causado os desmoronamentos, o presidente do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo do Rio, Sidney Menezes, disse que a única certeza que se tinha até aquele momento era que havia ocorrido um "colapso estrutural". O que provocou isso só será possível saber após realização de perícia detalhada, quando não houver mais riscos para quem trabalha nos destroços. "É muito prematuro apresentar explicações." Segundo ele, por se tratar de área muito adensada, edificações vizinhas podem ter sido abaladas.

Resgate. As operações de resgate prosseguiriam durante a madrugada. Foi montado um posto para atender parentes de desaparecidos. "Eu tinha saído do prédio cinco minutos antes e estava do outro lado da rua. Ouvi um estrondo e, quando olhei, tava caindo tudo. Só deu tempo de correr", disse o analista de sistemas Fernando Amaro, de 29 anos, funcionário de uma empresa que funcionava no 4.º andar do Liberdade. No térreo, havia uma lanchonete de produtos naturais e agência do banco Itaú.

Ricardo Santos, de 50, disse que estavam sendo feitas obras de reforma no prédio. "O barulho foi contínuo, como se fosse um avião pousando." Muitas pessoas corriam em direção à Rio Branco em busca de transporte, com medo de usar o metrô, gritando para alertar sobre o desabamento. Ônibus paravam no meio da pista. A suspeita de que os destroços teriam atingido a linha do metrô que passa sob a Treze de Maio levou a concessionária a interditar a passagem dos trens. O trecho entre as Estações Carioca e Cinelândia fica sob o local do prédio que desabou. Técnicos da companhia vistoriaram os trilhos, mas os resultados não haviam sido divulgados até a meia-noite. Quatro estações foram fechadas. / COLABORARAM FELIPE WERNECK E SÉRGIO TORRES

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.