André Lessa/AE
André Lessa/AE

Metrô: pane para Linha 4 e prejudica 75 mil

Sistema de trens sem condutor falhou; rede opera em horário integral há uma semana

BRUNO RIBEIRO, NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2011 | 03h03

Uma pane no sistema que controla os trens a distância fez com que a recém-inaugurada Linha 4-Amarela do Metrô ficasse fechada por quatro horas, na manhã de ontem. O sistema que falhou é justamente aquele que permite aos trens circularem sem a presença de um maquinista - uma das principais diferenças dessa linha para as demais da rede metroviária. Pelo menos 75 mil pessoas foram prejudicadas, segundo estimativa do Metrô.

O problema aconteceu entre 4h40 e 8h20 em uma área de manobras entre as Estações Luz e República, que passaram a funcionar no horário de pico há apenas uma semana. Por causa da falha, os trens não conseguiriam circular da Estação Paulista em diante.

Para evitar tumulto nas outras paradas, especialmente na superlotada ligação entre a Linha 4-Amarela e a Linha 2-Verde, na Estação Consolação, a ViaQuatro (empresa que gerencia a nova linha) decidiu interromper toda a operação. Os passageiros tiveram de usar as antigas conexões da rede (Sé, Paraíso ou Ana Rosa) para trocar de linha ou continuar a viagem de ônibus. O Plano de Apoio Entre Empresas de Transporte em Situação de Emergência (Paese) foi colocado em ação, com 12 ônibus fazendo ligações entre a zona oeste e o centro.

A opção, no entanto, não se mostrou eficiente. "Cheguei na Estação Luz e ninguém passava uma informação concreta do que acontecia. O tão exaltado sistema de SMS do Metrô, que deveria alertar para essas situações, simplesmente não funcionou", disse o relações públicas Tiago Oliveira, de 22 anos. "Sempre pego a Estação Paulista lotada, mas hoje estava impossível. Tinha uma consulta médica no Butantã e perdi porque não consegui pegar o trem, muito menos o ônibus lotado", disse a administradora de empresas Érika Suzuki, de 32 anos.

Controle. O presidente da ViaQuatro, Luiz Valença, afirma que os trens da Linha 4-Amarela podem, sim, ser operados manualmente, por maquinistas. Mas que a empresa preferiu não usá-los. "Iria transferir toda a responsabilidade (por um acidente) para o operador."

Até o fim da tarde de ontem, a ViaQuatro não tinha certeza do motivo da falha do sistema. Eles sabiam apenas que o Controle de Trens Baseado em Comunicação (CBTC, na sigla em inglês) não estava funcionando. Uma das suspeitas, não confirmada, é que uma falha humana durante um serviço de manutenção programada para o último domingo - quando a linha não funciona - pode ter provocado o desligamento da rede. "O que faremos agora é avaliar nossos procedimentos para adotar alguma medida diferente no futuro", diz Valença.

O diretor do Sindicato dos Metroviários (e condutor de trens da Linha 1-Azul), Ciro Moraes, de 50 anos, diz que, nas linhas que não têm CBTC, a operação poderia ter continuado, mas com trens sendo guiados em velocidade reduzida.

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos informou que a Comissão de Monitoramento das Concessões vai apurar a pane.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.