Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Metrô: nova pane fecha 3 estações da Linha Azul

Sistema de energia de trens falha e tumultua a vida de pelo menos 40 mil passageiros

Bruno Ribeiro e Cristiane Bomfim, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2010 | 00h00

Uma pane fechou na manhã de ontem três estações da Linha 1-Azul do Metrô e prejudicou entre 40 mil e 50 mil passageiros, segundo cálculos da companhia. Foi a terceira falha grave na rede em menos de três meses. Segundo o Sindicato dos Metroviários, os problemas frequentes são reflexo da superlotação do sistema e podem voltar a ocorrer.

As Estações São Judas, Conceição e Jabaquara, na zona sul, ficaram fechadas por quase três horas - justamente no horário de pico. A solução para os passageiros foi se espremer em ônibus superlotados ou caminhar até a Estação Saúde, que ficou aberta.

O técnico em manutenção de computadores Emerson Viana da Silva, de18 anos, foi um dos que optaram por caminhar. "Cheguei um pouco antes das 9 horas na Estação Jabaquara. Estava fechada e o trânsito, insuportável. Acabei indo a pé ao trabalho, que fica na Vila Mariana." O percurso de uma hora e meia foi feito na garoa. "Todo mundo chegou atrasado", afirmou.

O caos foi causado pela quebra de uma peça chamada feeder, que distribui energia à rede. Por volta das 6h40, um dos alimentadores de energia do trem 203 esbarrou no chamado "terceiro trilho" (barra que fica ao lado dos trilhos e abastece os trens de eletricidade) e provocou uma descarga elétrica, que atingiu a peça. Sem energia, o metrô parou entre as Estações Conceição e São Judas. Para evitar a superlotação nas plataformas, essas estações e a Jabaquara foram fechadas até o problema ser resolvido. Os passageiros foram reembolsados e orientados a seguir de ônibus até a próxima parada aberta, na Saúde. O embarque nas estações fechadas foi liberado às 9h10.

"Hoje foi isso. Da outra vez, foi uma falha na sinalização e, antes, no sistema das portas. O Metrô transporta 4 milhões de pessoas ao dia, comprou mais trens. Há mais composições nas vias e menos nos pátios para manutenção. O Metrô está sobrecarregado, por isso tantas falhas", diz o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior. Para ele, "a solução é a ampliação da rede, que só vai ocorrer em médio e longo prazos", apesar de os técnicos de manutenção fazerem "o melhor trabalho possível".

O gerente de Operações do Metrô, Wilmar Fratini, afirma que a pane de ontem é rara e o trem será periciado para apuração das causas. Ele diz ainda que o sistema é confiável. "A manutenção do Metrô é altamente sofisticada e possui tecnologia reconhecida internacionalmente. Temos equipes trabalhando o dia todo, mas às vezes as falhas acontecem porque temos um volume grande de passageiros."

Panes. Na sexta-feira passada, uma falha no controle automático de trens da Linha 3-Vermelha reduziu a velocidade das composições no pico da tarde. Passageiros não puderam embarcar em todas as estações da linha. Houve reflexos nas Linhas 1-Azul e 2-Verde. A pane mais grave ocorreu em 21 de setembro, na mesma linha, fechando as estações por três horas e prejudicando 250 mil pessoas.

4 PERGUNTAS PARA...

Alessandra Lopes da Silva

PASSAGEIRA DO METRÔ

1. A que horas você chegou na Estação Jabaquara?

Às 6h30. Estava lotado como sempre. O trem parou entre as Estações Conceição e São Judas, mas voltou a andar. Aí ouvimos três estrondos e vimos uma fumaça sair dos trilhos. As luzes se apagaram e o trem parou.

2. Os passageiros foram avisados?

O trem ainda tentou se movimentar mais uma vez, mas parou. O condutor disse que tinha ocorrido uma falha no trem da frente e que ficaríamos parados. Pediu para ficarmos calmos.

3.A que horas vocês deixaram a composição?

Por volta das 7h, as portas abriram e uma funcionária pediu para que saíssemos em fila indiana até a Estação São Judas. Caminhamos pela lateral dos trilhos.

4. Como estava a Estação São Judas?

Lotada. E não havia trem. Pediram para sairmos e entregaram uma passagem como reembolso.

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