Metrô mantém contrato com Alstom em sistema com pane

Em teste há quase 4 anos, o CBTC apresentou sete falhas graves desde 2012; companhia diz não ver irregularidades

O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2014 | 03h20

O Metrô de São Paulo decidiu manter o contrato com a Alstom para a instalação do CBTC (sigla em inglês para Controle de Trens Baseado em Comunicação). O sistema que diminui o intervalo entre as composições está em implementação desde 2010 e é testado, aos domingos, na Linha 2-Verde (Vila Prudente-Vila Madalena).

Ontem, o Estado revelou que sete falhas graves foram registradas desde 2012. No dia 9 deste mês, por exemplo, o CBTC deixou de funcionar à tarde e uma composição da Linha 2, com passageiros, trafegou "às cegas" pelo túnel por 15 minutos. No domingo passado à tarde, o problema se repetiu e foi solucionado após 40 minutos.

O Metrô tinha até ontem para responder à solicitação feita pelo promotor de Justiça Marcelo Milani que investiga dez contratos de reforma e modernização de trens. Com a resposta, ele vai avaliar se entra com uma ação civil pública.

Por meio de nota, a empresa estatal informou que o CBTC ainda está em implementação também nas Linhas 1-Azul (Jabaquara-Tucuruvi) e 3-Vermelha (Corinthians/Itaquera-Palmeiras/Barra Funda). Segundo o Metrô, a licitação para a contratação do sistema e sua instalação foi feita em com as regras da Lei de Licitação (8.666/93) e do Banco Mundial.

A Alstom venceu o contrato, que foi assinado em 2008. A multinacional francesa, que é investigada por suspeita de participação em um cartel para fraudar licitações, fechou contrato de R$ 712 milhões para a instalação do CBTC, que até agora não foi concluído no Metrô paulista. Para a empresa estatal, o sistema que diminui a distância entre os trens é a principal aposta para reduzir a superlotação das linhas.

De acordo com o Metrô, houve "forte disputa" na licitação e "descontos no preço inicial" do CBTC. Em relação aos atrasos, a empresa informou também que "foram aplicadas todas as multas previstas em contrato, que somam R$ 77 milhões". Os pagamentos para a Alstom estão suspensos há um ano.

O Metrô afirmou que foi "iniciado um procedimento arbitral tratando das divergências e prejuízos sofridos pelo Estado" e informou não haver "indícios suficientes de irregularidades".

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