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Metrô libera bikes nas escadas rolantes

Medida vale para a subida e foi tomada depois de mobilização de ciclistas

Por Bruno Ribeiro
Atualização:

Uma mudança aparentemente simples - mas que exigiu a mobilização de quatro entidades, a produção e divulgação de um vídeo na internet e a publicação de uma carta aberta ao presidente do Metrô - vai começar a vigorar na rede metroferroviária a partir do próximo sábado, dia 4: passageiros que embarcam com bicicletas poderão subir as escadas rolantes. Quem não usa a bicicleta pode não ver a importância da medida, mas quem tem de subir os (vários) lances de escadas comuns das estações para chegar à rua sabe o que significa ter de carregar os 20 quilos que uma bicicleta pesa, em média - peso equivale a um botijão de gás cheio.O transtorno se tornou público há uma semana, quando uma campanha reivindicando mudanças na política do Metrô sobre bicicletas teve início nas redes sociais. Um vídeo mostrando um ciclista no Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) subindo e descendo as escadas carregando a bicicleta nas mãos passou a ser difundido na rede. Pelas regras do Metrô e da CPTM, em vigor desde 2007, a entrada das bikes só era permitida caso o ciclista a carregasse ao seu lado e usasse as escadas comuns para subir e descer até as plataformas.Durante a semana, as bicicletas só são permitidas depois das 20h30 - a média é de 53 passageiros por dia. Aos sábados, após as 14 horas. Já aos domingos, a entrada é liberada o dia todo - e o número de usuários costuma se multiplicar por dez: a média é de 573 usuários, segundo informações do Metrô.Vídeo. Com cara de propaganda publicitária, as cenas do vídeo são intercaladas com frases como a comparação do peso da bicicleta com um bolo para 200 pessoas, uma criança de 5 anos ou três pneus de carro. Há ainda a pergunta: "Você acha que todo mundo que pedala - mulher, homem, idoso, jovem, criança - tem esse equilíbrio na escada e força nos braços?".A produção do vídeo envolveu 15 pessoas, dos grupos Bike Anjo, Coletivas, Coletivo Cru e Vá de Bike, e foi feita no fim de janeiro.Segundo o advogado Raphael Monteiro de Oliveira, de 31 anos, do Bike Anjo, a campanha começou depois da publicação de uma entrevista com o presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, em que ele também se dizia usuário de bicicletas. Antes, os ativistas já haviam tentado mudar a regra. "O primeiro contato de que temos notícia foi feito por meio da Ouvidoria do Metrô, que respondeu de forma lacônica", conta.Para o alto. Segundo o Metrô, depois de saber da solicitação, técnicos da companhia estudaram o assunto e concluíram que a liberação só poderia acontecer para subir as escadas rolantes - havia chance de os usuários não aguentarem o peso delas nas escadas que estão descendo. A mudança vale para o Metrô, incluindo a Linha 4-Amarela e para os trens da CPTM.

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