Metrô e CPTM atrasam investimentos

Estado admite que há problemas nas ampliações das Linhas 4-Amarela e 5-Lilás, na modernização de ramais e na reforma de trens

Caio do Valle, O Estado de S.Paulo

14 Maio 2013 | 02h07

O Metrô de São Paulo já deveria ter reformado 36 trens a mais do que os atuais 16. E as intervenções para diminuir os intervalos das composições na Linha 2-Verde precisariam estar em um estágio mais avançado. Mas as obras de expansão e modernização do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) atrasaram no ano passado.

Quem admite o atraso é o próprio governo do Estado. A gestão Geraldo Alckmin (PSDB), que tem no setor uma de suas principais vitrines, admitiu a perda de prazos em um documento enviado à Assembleia Legislativa neste mês. Entre as ações que tiveram problema está a construção da segunda fase da Linha 4-Amarela, na zona oeste, e a extensão da 5-Lilás, na zona sul. A evolução abaixo do esperado também impactou o cronograma de entrega de novas estações, como o Estado mostrou no sábado.

Um dos projetos com maior defasagem em relação à meta estabelecida é o de modernizar a frota da Linha 3-Vermelha, a mais sobrecarregada do metrô. Em dezembro de 2011, o governo divulgou que pretendia reformar 29 trens do ramal em 2012. Mas só 7 composições - ou 24% - ficaram prontas. No caso da Linha 1-Azul, só foram requalificados 9 dos 23 trens antigos. Em justificativa aos deputados, a Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos informou que "houve reprogramação de meta e atraso na entrega de trens" reformados ao longo do ano passado. O projeto teve de ser adiado porque o novo sistema de sinalização dos trens atrasou (leia mais ao lado).

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, as reformas dos trens não foram bem planejadas. "Além disso, eles voltam sem janelas basculantes, o que é ruim, porque, se acaba a energia, não tem circulação de ar. Cria-se um certo pânico."

Situação semelhante aconteceu na ampliação da Linha 4. O objetivo do governo, publicado há quase um ano e meio no Plano Plurianual 2012-2015, indicava que 23% da segunda fase desse ramal - que envolve as futuras Estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, Fradique Coutinho, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia - precisariam estar concluídos em 2012. Na prática, 15% foram executados.

O governo informou que "houve atraso na elaboração dos projetos civis". Como o Estado mostrou em abril, a construção da Estação Higienópolis-Mackenzie teve de ser interrompida por 25 dias por uma falha na escavação de um poço.

No sábado, outra reportagem revelou que o presidente do Metrô, Peter Walker, já está apresentando um cronograma diferente do anunciado antes para a entrega das obras. A abertura da Estação Vila Sônia, da Linha 4, por exemplo, pulou de 2014 para julho de 2015. Já a extensão de 11,5 km e 11 estações da Linha 5 foi de 2015 para o fim de 2016.

CBTC. Outro projeto fora da meta é o da requalificação da Linha 2-Verde. Segundo o governo, em 2012 deveriam ter sido executados 11% do cronograma. Mas só 6,7% se concretizaram. Desde 2010, esse ramal recebe um novo sistema de sinalização, chamado de CBTC, que permitirá intervalos menores entre os trens. Na sexta, Walker disse que o equipamento é "um problema". A adaptação das linhas à acessibilidade também ficou abaixo da meta.

No caso da CPTM, metas de modernização não foram atingidas nas Linhas 10-Turquesa, 11-Coral e 12-Safira. Nas demais, objetivos foram superados em 2012.

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