Metrô demite 61 funcionários no quinto dia de greve

Alckmin antecipou na noite deste domingo, 8, que metroviários seriam demitidos caso não retornassem ao trabalho

Caio do Valle, Laura Maia de Castro, O Estado de S. Paulo

09 de junho de 2014 | 09h55

Atualizado às 11h

SÃO PAULO - O Metrô anunciou na manhã desta segunda-feira, 9, que demitiu 61 metroviários que mantiveram a greve pelo quinto dia consecutivo. Na noite deste domingo, 8, o governador Geraldo Alckmin antecipou que, se os grevistas não retornassem ao trabalho, seriam demitidos por justa causa.

Alckmin disse ainda que o governo teria medidas austeras e acionaria a Polícia Militar para assegurar a segurança dos usuários. Nesta segunda-feira, 13 manifestantes foram detidos após confronto com a PM na Estação Ana Rosa, na zona sul.

O governo do Estado afirmou que 365 grevistas haviam voltado a trabalhar na manhã desta segunda-feira, o que representa 30,5% do total de metroviários que entram no turno da manhã, 1.198 funcionários, outro dado informado pelo Metrô. Os sindicalistas não confirmam esse dado.

Apesar disso, os passageiros ainda não sentiam diferenças no funcionamento do sistema, que operava por volta das 10h só com cerca de metade das estações abertas.

O secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, afirmou que 61 grevistas foram demitidos, entre eles, trabalhadores que incentivaram o pulo de catracas. O dirigente tem sido incisivo em suas declarações contra os grevistas. "Se  a assembleia do sindicato, às 13h, reverter a greve podemos chegar a 40, 45 estações abertas à tarde", estimou Fernandes. 

Ele disse que os funcionários que não forem trabalhar nesta segunda-feira, segundo ele, terão que apresentar justificativas e que as faltas da semana passada serão descontadas. O governo, entretanto, negociaria essas faltas.

Sindicato. "Soube através da empresa que o governo demitiu 60 pessoas. É inadmissível. Em vez de diminuir o problema, ele está inflamando a categoria. Se continuar as demissões, a greve continua", disse o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Junior. "Vamos em marcha até a Secretaria dos Transportes Metropolitanos com as centrais sindicais e movimentos como MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e MPL (Movimento Passe Livre) que apoiam a nossa luta. Queremos falar diretamente com o secretário."

Segundo o presidente do sindicato, as detenções foram uma "forma de intimidação". "O governo precisa dar algum sinal de que quer negociar,  até agora o único sinal que eu vi foi bomba", declarou Altino.

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