Metrô de SP: mais de 70 anos de atraso e expansão lenta

Acidentes em obras e problemas técnicos afetam história do transporte metropolitano paulistano

Eloá Orazem, de O Estado de S. Paulo,

18 de janeiro de 2008 | 16h55

Foi em 1863, em Londres, que o primeiro metrô do mundo foi inaugurado com a missão de solucionar os problemas causados pelos grandes congestionamentos na superfície. Mas foi somente em 1890, quando as linhas passaram a ser eletrificadas, que o potencial do transporte subterrâneo começou a ser amplamente explorado por grandes centros urbanos do mundo todo, especialmente pela capital francesa, Paris, e pela megalópole americana de Nova York, que inauguraram suas redes metroviárias em 1900 e 1904, respectivamente.   Veja também: Passageiro relata nervosismo de andar de metrô Linha Azul do Metrô pára após pane em trem na Estação Paraíso   No Brasil, a solução demoria a chegar. Somente em 1974, mais de um século depois, a primeira - e pequena - linha seria inagurada, em São Paulo. O atraso se reflete no tamanho da malha. Apesar de ter tantos ou mais habitantes que outras metrópoles, a extensão do serviço é pífia em relação a elas. Enquanto a cidade americana conta com 371 quilômetros de linha metroviária, Paris com 211 e Londres com 415,   São Paulo tem  apenas 61,3 quilômetros.    No início do século XX, especialistas discutiam a questão da segurança e do investimento que o metrô exigira. Os que eram contra diziam das possíveis catástrofes e da real necessidade da construção de algo tão extravagante; os que se posicionavam a favor apontavam os inúmeros benefícios que o transporte metropolitano trouxe aos outros países que compraram a idéia.   Durante anos a opinião pública ficou dividida, até que em abril de 1968 foi fundada a Companhia do Metropolitano de São Paulo e alguns meses depois, em dezembro, deu-se o início das obras da Linha Norte-Sul, hoje conhecida como Linha 1 ou Linha Azul. Contando com instruções de engenheiros estrangeiros, em 1972 foi possível fazer uma breve viagem, de apenas 3,5 quilômetros, num protótipo do que viria a ser o metrô paulista. No primeiro teste, o trem andou entre as estações Jabaquara e Saúde.   Não demorou muito, e em maio de 1973, o primeiro acidente mancha a história do transporte metropolitano. A terra cedeu enquanto alguns funcionários trabalhavam no local. O marteleiro José Artur de Freitas, na época com 22 anos, morreu e outros três ficaram feridos. Oito meses depois, em janeiro de 1974, os operários Otacílio Marcelino de Amorim e Antonio Rodrigues dos Santos, de 23 e 21 anos, respectivamente, morreram eletrocutados na obra.   Próximos do fim das obras e anestesiados com o frenesi causado pela imprensa, as mortes não diminuíram a expectativa dos curiosos que ansiavam ver e testar o transporte metropolitano. Os primeiros passageiros, todos convidados especiais, embarcaram no dia 14 de setembro de 1974 para a viagem inaugural do primeiro metrô brasileiro. Foi somente no dia 16 de setembro que o transporte metropolitano começou a operar comercialmente, fazendo viagens de segunda à sexta-feira, das 9 às 13h.   Os anos finais da década de 70 foram marcados pela expansão do metrô, sendo que a estação Sé - a maior do sistema - foi inaugurada em 1978 e em 1979 começaram as obras para construir a linha Vermelha (Sé a Brás). Até então, a grande maioria dos passageiros era formada por curiosos que somente queriam conferir um dos projetos mais caros assumidos pelo governo.   A transição da década de 70 para 80 apresenta uma mudança significativa no perfil dos usuários do metrô: os trabalhadores e os estudantes passam a usufruir da rapidez do veículo, transformando-o num transporte de massa. Ainda nos anos 80 o expediente do metropolitano é estendido até a meia-noite, é inaugurada a primeira estação na zona Oeste da Linha Vermelha e é diplomada a primeira turma de mulheres operadoras de trens.   Com o passar dos anos, o brilho e o charme do metrô paulistano vão sendo ofuscados. Embora a década de 90 apresente inúmeras construções de novas linhas e ampliações das já existentes, começam as ameaças de greve dos metroviários e aumenta a preocupação quanto à manutenção das estações e quanto à segurança dos que ali transitam.   A violência passou a agir sob a terra, também. Nesta época, surgiram os relatos iniciais de assaltos e tiroteios ocorridos no metrô. A partir de 2000, o transporte metropolitano foi marcado por problemas técnicos e greves dos metroviários que atrapalharam a vida da população paulistana.   Mas foi em 2007 que a situação chegou ao extremo. No dia 12 de janeiro, uma cratera aberta no canteiro de obras da Estação Pinheiros da Linha 4 do metrô deixou 230 moradores sem casa, sete vítimas fatais e inúmeros feridos, constituindo a maior tragédia na história do transporte metropolitano brasileiro.   Quase um ano após o acidente e um outro buraco se abriu na madrugada do dia 31 de dezembro, perto da futura Estação Pinheiros do Metrô, assustando os moradores da região.   Finalmente o ano de 2008 começa com a boa notícia de que a prefeitura de São Paulo vai investir no Metrô. Poucos dias após o anúncio do investimento e, no dia 7 de janeiro, os cidadãos se deparam com uma novidade que os faz desanimar: uma falha técnica faz usuários deixarem trem do metrô de São Paulo.   Dois dias depois da primeira falha, problemas elétricos atrasaram o dia de quem passava pela Linha 1 (Tucuruvi-Jabaquara). No dia 15 de janeiro, mau funcionamento em duas linhas metrô causam mais transtornos. Dia 18, apenas três dias após o último incidente, a Linha 1 pára após pane em um trem na Estação Paraíso.

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