Filipe Araujo/AE
Filipe Araujo/AE

Metrô dará consultoria em Fortaleza

Esse é o primeiro acordo da companhia paulista para exportar conhecimento de instalação e manutenção de linhas para outros Estados

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2011 | 00h00

O Metrô de São Paulo vai expandir a sua atuação para fora da capital e do Estado, com serviços de consultoria e até participando de licitações para operar linhas. O primeiro convênio foi assinado nesta semana com o Metrô de Fortaleza, onde a companhia paulista vai treinar funcionários locais e fazer uma análise técnica para criar o serviço. O valor é de R$ 3 milhões.

A companhia criou no início deste ano uma unidade de negócios estratégicos para tratar especificamente dos serviços que pretende "exportar". O Metrô pode participar dos projetos de novas linhas, dar consultoria sobre os sistemas que serão instalados e treinar os funcionários locais. Em relação às licitações, a companhia não pretende participar de obras ou realizar investimentos fora do Estado, mas quer atuar como a parte consultora de consórcios que disputam os processos.

"Queremos fazer como o metrô de Paris, que faz parte como consultor do grupo que opera a Linha 4-Amarela", disse o presidente da companhia, Sérgio Avelleda, em referência ao ramal que atualmente opera entre as Estações Paulista e Butantã.

O primeiro convênio fechado tem duração de 24 meses e pode ser prorrogado. Os técnicos paulistas vão analisar e opinar sobre as especificações técnicas para a criação em Fortaleza do Centro de Controle Operacional (CCO) e dos sistemas de sinalização (que impedem que um trem chegue perto do outro) e de ventilação. Os funcionários cearenses também farão treinamento sobre o manuseio de escada rolante, controles de falhas e na manutenção dos equipamentos.

"É de praxe um metrô que está perto de iniciar as atividades receber uma consultoria institucional de outro que seja referência", diz o presidente do Metrô de Fortaleza (Metrofor), Rômulo Fortes. O sistema da capital cearense deve começar a operar no início do próximo ano, com um trecho de 24 quilômetros. Ele acrescenta que o convênio com a companhia paulista foi uma solicitação da Controladoria Geral da União (CGU) - para liberar mais aditivos ao contrato, uma vez que há recursos federais na obra.

Investimentos. O Metrô de São Paulo pretende ampliar esses negócios para aumentar a sua receita não tarifária - ou seja, a que não provém da venda de bilhetes, mas inclui ações de marketing e shoppings localizados nas estações. Com isso, pretende arrecadar recursos para investimentos na melhoria de serviços e também "garantir a independência financeira da companhia", diz Avelleda. No ano passado, o Metrô de São Paulo teve faturamento de R$ 1,33 bilhão, mas prejuízo de R$ 26 milhões.

Na prática, o Metrô está retomando uma atividade de consultoria que desenvolveu até os anos 1980, até para outros países, como o Iraque, Venezuela e Colômbia. "O último projeto que ajudamos a desenvolver foi o do metrô de Brasília, em 1987. Desde então, não havíamos mais participado, mas voltou a ser um nicho econômico porque existem vários projetos de linhas de Metrô e de VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) em todo o mundo", disse o responsável por essa unidade de negócios no Metrô, Conrado Grava de Souza.

Além de fechar o primeiro convênio, o Metrô assinou um protocolo de intenções com o metrô carioca e mantém negociações com os responsáveis pelos projetos em outras capitais, como Curitiba. "O primeiro convênio foi para analisar especificações técnicas dos equipamentos e treinar funcionários. Mas estamos capacitados para elaborar projetos e operar outras linhas", disse Souza.

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