Paulo Liebert/AE-26/8/2010
Paulo Liebert/AE-26/8/2010

Metrô começa a desapropriar casas no Campo Belo

Também foram declarados de utilidade pública para obra da Linha Ouro residências e comércios na Saúde; no total, são 65 imóveis

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2011 | 00h00

Apesar de todo o projeto ainda estar parado na Justiça, o Metrô começou a desapropriar os terrenos para a construção da futura Linha 17-Ouro - monotrilho que vai ligar o Aeroporto de Congonhas à região do Morumbi. Inicialmente, foram declarados de utilidade pública 65 imóveis nos bairros da Saúde e do Campo Belo, ambos localizados na zona sul da cidade.

O primeiro dos três decretos previstos para a desapropriação de imóveis foi publicado na edição de sábado do Diário Oficial do Estado. O texto prevê a utilização de uma área de aproximadamente 21,3 mil quilômetros quadrados - o equivalente a três campos de futebol se estivessem juntos.

O chamado monotrilho do Morumbi terá 17,9 quilômetros de extensão, entre a Estação Jabaquara (Linha 1-Azul) e a futura São Paulo-Morumbi (Linha 4-Amarela). As composições vão circular a uma altura de 15 metros e passar por bairros nobres, como Brooklin, Granja Julieta, Campo Belo e Morumbi.

O primeiro decreto, no entanto, prevê desapropriação de terrenos no trecho entre a Estação São Joaquim e a Marginal do Pinheiros. Ficará para depois a definição dos imóveis que serão utilizados na região do Panamby, o ponto mais polêmico do projeto. Essa área foi citada em uma das 55 condições levantadas pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades), quando aprovou a primeira licença ambiental da obra, na semana passada.

Segundo informações do cadastro municipal, 39 dos imóveis desapropriados são residências, oito são estabelecimentos comerciais e outros 18, terrenos. Praticamente todos estão em áreas nobres, como o entroncamento das Avenidas Jornalista Roberto Marinho e Chucri Zaidan (Brooklin), a Avenida Vereador José Diniz (Campo Belo) e a Rua Bartolomeu Feio (Itaim-Bibi).

Tudo pronto. O projeto para a futura Linha 17-Ouro está parado na Justiça - liminar impede a assinatura do contrato com a empresa vencedora da licitação. Mas o Metrô mantém em andamento o restante do processo da obra, como licenciamento ambiental e, agora, a desapropriação dos primeiros imóveis. "A impressão é de que eles têm certeza de que a liminar vai cair e por isso estão deixando tudo pronto, mas acreditamos que a Justiça vai manter as decisões anteriores, porque o projeto apresenta diversas falhas", diz Sílvio Teixeira Júnior, presidente da Sociedade dos Amigos de Vila Inah (Saviah), entidade que obteve a liminar judicial.

PARA ENTENDER

Liminar pode cair até sexta

A liminar que está barrando a Linha 17-Ouro do Metrô deve ser analisada ainda nesta semana pelo Tribunal de Justiça.

Concedida em dezembro, ela impede a contratação da empresa que vai construir na zona sul o chamado "monotrilho do Morumbi".

A Sociedade dos Amigos de Vila Inah (Saviah) entrou com ação contra o projeto, alegando que ele não tem estudos de impacto ambiental e na vizinhança, nem seu traçado detalhado. O Metrô recorreu, mas, em março, a Justiça manteve a proibição.

Na semana passada, a companhia obteve a primeira licença ambiental para o projeto. Para obter as outras duas licenças necessárias, no entanto, o Metrô terá de satisfazer 55 condições, incluindo a mudança do traçado dentro do Jardim Panamby. Diferentemente do metrô, o monotrilho corre por uma via elevada, mantida por pilastras a 15 metros de altura.

 

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