Metalúrgico morre atropelado após ser assaltado na Marginal do Pinheiros

Dois bandidos roubaram sua moto e mandaram que ele corresse, quando foi atingido por dois carros; até a noite, ninguém havia sido preso

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2011 | 03h05

O metalúrgico Luiz Carlos Ferreira, de 41 anos, morreu atropelado ontem, depois de fugir de dois bandidos que roubaram sua moto, na Marginal do Pinheiros, altura da Ponte João Dias, zona sul. Os criminosos não haviam sido encontrados pela polícia até a noite de ontem.

Morador do Jardim Ângela, também na zona sul da capital, Ferreira voltava do trabalho em Cotia, na Grande São Paulo, no fim da madrugada, quando foi abordado pela dupla, na pista sentido Interlagos da Marginal, na altura do km 16,5.

Segundo testemunhas, os bandidos dominaram o metalúrgico e o obrigaram a entregar a moto CB 300R, vermelha, ano 2010. Há relatos de que os ladrões também estavam em uma moto e perseguiam a vítima. Com a CB 300 nas mãos, os bandidos teriam ameaçado o metalúrgico, exigindo que ele fugisse do local. Ferreira então correu entre os carros da Marginal, quando foi atropelado.

O primeiro a atingir o metalúrgico foi o Honda Civic cinza de um advogado, de 30 anos. "Tinha um ônibus na minha frente, que ainda conseguiu desviar dele. Daí, o rapaz surgiu de repente e não tive como evitar o atropelamento", lamentou.

Além do Honda Civic, uma van Renault cinza, dirigida por um motorista profissional, também atropelou o metalúrgico. Em depoimento à polícia, o condutor disse que percebeu apenas a freada do carro à frente. Logo depois, notou que havia passado por cima de algo e parou.

Uma viatura do 1.º Batalhão da Polícia Militar retornava do Instituto Médico-Legal e estava atrás dos carros que atropelaram o metalúrgico. Os PMs prestaram os primeiros socorros.

Apesar dos relatos das testemunhas, os policiais não conseguiram levar até a Central de Flagrantes no 89.º Distrito Policial (Portal do Morumbi) nenhuma pessoa que se dispusesse a contar oficialmente o que viu. O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção de matar) e roubo consumado.

Desespero. O advogado que dirigia o Honda Civic contou que entrou em choque quando percebeu que havia atropelado o metalúrgico. "Foi um desespero, não sabia o que tinha se passado e só pensava que tinha atropelado alguém."

O motorista foi então acalmado pelos PMs, que contaram o que se passou no local do acidente. "A sorte é que os policiais vinham logo atrás. Eles desconfiaram de que tinha alguma coisa errada, porque ele estava com roupa de motoqueiro, mas não havia moto nenhuma por perto. Foi aí que soubemos do roubo e de toda a história", disse. "Mesmo sabendo que não tenho culpa pelo que aconteceu, eu fiquei chocado. Penso na família dele. É uma pessoa que morreu", disse o advogado.

Outros motoristas que passavam pelo local no momento do acidente alertaram os policiais para os assaltos frequentes naquele ponto da Marginal. Os bandidos aproveitam o tráfego intenso nas primeiras horas da manhã para abordar as vítimas.

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