Werther Santana/AE
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Metade dos paulistanos quer mais ciclovias

Consulta pública também pede melhorias em ônibus e no sistema de saúde da cidade

Márcio Pinho e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2011 | 23h42

SÃO PAULO - Metade dos paulistanos quer mais ciclovias e ciclofaixas na cidade. A maioria também cobra maior investimento em ônibus, pontualidade no transporte público e redução da espera por consultas médicas e exames no sistema de saúde. Esses e outros resultados da consulta pública Você no Parlamento, que ouviu 33.340 moradores da capital, serão divulgados hoje na Câmara Municipal e devem orientar projetos de lei, discussões de Orçamento e ações de fiscalização.

Realizada pela Rede Nossa São Paulo, em parceria com a Câmara e apoio da Rádio Estadão ESPN, a consulta foi feita pela internet. Formulários foram distribuídos entre 15 de agosto e 30 de setembro. Paulistanos tinham de escolher até cinco prioridades em cada um dos 19 temas.

A prioridade para ações envolvendo corredores de ônibus foi a que ganhou maior porcentual de adesão entre todas as propostas da pesquisa: 77,41%. Na área de transportes, o segundo lugar ficou com a redução do preço das passagens (58,95%), - ônibus municipais custam atualmente R$ 3 e a tarifa do metrô é de R$ 2,90. A criação de ciclovias e incentivo ao transporte por bicicleta foi citado por 48,8% dos entrevistados.

A participação da Prefeitura em investimentos no metrô apareceu apenas em quinto lugar (47,94%), enquanto ações de respeito ao pedestre ficaram em nono entre as prioridades dos entrevistados no tema, com 23,62% dos votos.

Para Aílton Brasiliense, presidente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), o resultado reflete o "trauma permanente" vivido pelo motorista na cidade. "Nos últimos 50 anos, a prioridade foi sempre para obras viárias. É preciso pressionar vereadores e prefeitos para que o rumo dos investimentos mude."

Para Brasiliense, chama a atenção a falta de interesse para temas envolvendo pedestres. "O ônibus não passa dentro das salas das pessoas."

Rapidez. Na saúde, garantir agilidade de agendamento foi apontado como a principal prioridade, com 75,24% dos votos. Em seguida, veio a ampliação da rede de unidades básicas, AMAs, prontos-socorros e hospitais.

Para o coordenador-geral da secretaria executiva da Rede Nossa São Paulo, Oded Grajew, esse resultado é reflexo do péssimo atendimento oferecido hoje.

Pesquisa do Ibope divulgada pela entidade em janeiro mostrou que o paulistano leva em média 61 dias para passar por uma consulta, 76 para realizar exames e 166 para ser submetido a procedimentos mais complexos. "Imagine alguém com um problema grave ficar esse tempo todo na espera. A situação é dramática."

Segundo Grajew, saúde e trânsito aparecem como os principais problemas na avaliação dos paulistanos em outras pesquisas do movimento. Ele defende que essa percepção norteie as discussões na Câmara a partir de já.

Na proposta de Orçamento apresentada pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD), transportes é a quinta secretaria na ordem das verbas, com R$ 1,18 bilhão. Já saúde é a segunda, com R$ 5,58 bilhões.

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