Metade dos jovens pega carona com amigo que bebeu

Metade dos jovens pega carona com amigo que bebeu

Pesquisa do Denatran em seis capitais aponta, no entanto, que maioria dos entrevistados é a favor da lei seca

, O Estadao de S.Paulo

25 Março 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Eles até conhecem os riscos, mas a maioria dos jovens aceita carona de amigo que bebeu álcool antes de dirigir. É o que revela pesquisa do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) com 868 adolescentes de 15 a 17 anos. O estudo mostra que 55% dos entrevistados pegam carona nessa circunstância. No caso dos rapazes, o porcentual é de 61,2%, ante 50,7% das garotas. Contraditoriamente, os dois grupos acham que deveria ser proibido dirigir depois de beber ? 84,9% deles e 91,4% delas.

A pesquisa foi feita em outubro e novembro, em seis capitais ? Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Recife e Porto Alegre. Na ocasião, o Denatran entrevistou participantes de um ciclo nacional de palestras. Este ano, o órgão pretende incluir São Paulo e Rio.

Na opinião da coordenadora de Educação do Denatran, Juciara Rodrigues, a pesquisa mostra a falta de iniciativa do jovem em interferir na realidade a sua volta. "Ele precisa estar inserido no grupo que vive, quer ser bacana e legal, então acaba conivente com determinadas atitudes, mesmo que não concorde com elas", analisa. "A pesquisa mostra uma crise de valores, de identidade familiar e até das nossas campanhas, que talvez não estejam sendo eficientes."

Apenas 21,6% dos entrevistados responderam que usam sempre o cinto de segurança quando pegam carona no banco traseiro. A pesquisa também examinou se a presença dos pais no carro forçaria os filhos a usar o cinto ? e os resultados, novamente, foram frustrantes: "nunca", foi a resposta de 28,9%; "às vezes", para 44,1%. "Vivemos hoje um quadro muito delicado com as famílias, porque ao mesmo tempo que querem proteger o filho, os pais não exigem (o cinto)", diz Juciara.

Na maioria das escolas onde estudam os jovens pesquisados (51,8%) não há atividades de educação para o trânsito. De cada dez adolescentes, seis não se lembram de nenhuma campanha recente veiculada pelos meios de comunicação. "É um quadro muito desanimador. A escola não trabalha, o pai não faz nada e nós, do governo, ainda patinamos em alguns momentos, apesar dos esforços", avalia Juciara. "É uma situação para a gente refletir e se esforçar para melhorar os recursos pedagógicos e a capacitação de professores."

Segundo a coordenadora, o Denatran gastou R$ 120 milhões em campanhas educativas no ano passado, veiculadas em TV, rádio e internet. Para o engenheiro civil Fernando Diniz, presidente da ONG Trânsito Amigo ? Associação de Parentes, Amigos e Vítimas de Trânsito ?, faltam ações na área. "Os investimentos são muito pequenos. Este governo prefere gastar R$ 40 bilhões enterrando nossos jovens a gastar uma verba mais generosa em prevenção e educação."

Lei seca. Dos jovens pesquisados pelo Denatran, 84,9% afirmaram que conhecem a lei seca e 63,4% disseram concordar totalmente com ela. /R.M.M.

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