Metade de Belém mora em condições precárias hoje

Censo mostra que um em cada três domicílios não tem estrutura sanitária adequada e 1 em cada 4 só obtém luz por meio de 'gatos'

CARLOS MENDES , ESPECIAL PARA O ESTADO , BELÉM, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2011 | 03h05

Há algo em comum entre a lavadeira Jonilda Ribeiro Silva, de 34 anos, o vendedor de picolé Ronaldo Pereira de Souza, de 27, e o ajudante de pedreiro Iranildo Batista Sena, de 31: os três moram em bairros diferentes, na periferia de Belém, sobrevivem com R$ 400 por mês, ocupam pequenos barracos de madeira sem água, e a energia elétrica só chega em suas casas graças a "gatos". Estão entre 1,1 milhão de pessoas, ou 53,9% da população da capital, que vivem em aglomerados humanos sem nenhum tipo de saneamento, segundo o IBGE. Trata-se do pior quadro do País.

"Lavo e passo roupa para algumas famílias aqui do bairro, mas tem dia que eu não tenho nem o que comer com meus filhos", diz Silva, mãe de cinco crianças. Já Sena está doente, com diagnóstico de apendicite e não consegue guia de internação. "Parece que ser pobre neste País é ser uma praga, um criminoso. Lá no posto eles nem olham na cara da gente e dizem logo que não tem vaga em nenhum hospital para eu fazer a cirurgia", revolta-se.

O ajudante de pedreiro está há dois meses sem trabalhar na obra de um shopping no bairro do Benguí. Mesmo com atestado médico, o patrão avisou que se Sena não aparecer na obra para trabalhar será demitido."

Para Souza, a vida está um pouco melhor, porque a venda de picolé rende por mês R$ 400. Com o dinheiro, ele sustenta a mãe, de 72 anos, e a avó, de 91. Mas o sonho dele é se mudar. "Na Pratinha, em muitas casas, não há água encanada. É preciso caminhar 500 metros para encher o balde em um poço artesiano."

Estrutura. Os dados do Censo 2010 divulgados ontem mostram ainda que uma em cada três moradias de favelas (32,7%) não tem condições adequadas de esgotamento sanitário, o serviço mais precário dos aglomerados. Embora a oferta de energia elétrica seja praticamente universalizada nas favelas, chegando a 99,7% dos domicílios, apenas 72,5% obtêm luz de forma adequada. Um em cada quatro (27,5%) moradias recorre aos chamados "gatos" ou outros caminhos informais de obtenção de energia. /COLABORARAM FELIPE WERNECK E LUCIANA NUNES LEAL

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