Metade das falhas é provocada por queda de árvores

Segundo a Eletropaulo, galhos causam curtos na fiação elétrica; especialista também culpa falta de manutenção de equipamentos

, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2011 | 00h00

Mais da metade dos casos de apagões em São Paulo acontece por culpa de queda de árvores ou galhos que se enroscam na fiação. Segundo a Eletropaulo, 52% das interrupções de energia são causadas por problemas justamente quando ocorrem chuvas ou ventos fortes - e os fios acabam sendo atingidos.

 

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Ainda de acordo com a empresa, 14% das panes são causadas por falhas em equipamentos da Eletropaulo, 9% dos casos é culpa de pipas e balões que ficam presos nos fios, causando curto-circuito ou outros danos, e 8% por acidentes de carros que derrubam ou danificam postes.

Para especialistas, no entanto, não são apenas causas imprevisíveis que causam os apagões. "O que acontece é um somatório de eventos, desde queda de árvore até falta de manutenção da Eletropaulo", afirma o engenheiro eletricista e professor da Fundação Educacional Inaciana (FEI), Reinaldo Lopes. "O que ocorre com frequência é que as árvores não têm poda adequada, então quando chove ou venta, ou mesmo com o crescimento dos galhos, a árvore acaba batendo na rede elétrica. Como o fio de cima é desencapado, há um curto e os sistemas de proteção cortam a energia para proteger a rede elétrica."

Ainda de acordo com Lopes, o problema não está no sistema elétrico, mas na prevenção de curtos. "Não é um problema de tecnologia, nosso sistema não é obsoleto", diz ele. "É preciso sempre regular os equipamentos, checar os transformadores e analisar o desgaste. Há problemas até de vedação nos transformadores, entra água. É preciso uma manutenção preventiva eficiente. Não apenas uma ação corretiva, como é hoje."

Medidas. Em fevereiro, depois de um blecaute que atingiu 2,5 milhões de pessoas e 627 mil imóveis na capital, um acordo foi fechado entre o governo estadual, as concessionárias de energia elétrica e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para implementar ações de emergência em São Paulo. Uma delas é a antecipação do início da operação da Subestação Piratininga 2, em Interlagos, para novembro Ela tiraria a sobrecarga da Subestação Bandeirantes.

A Prefeitura firmou acordo em dezembro com a AES Eletropaulo com o objetivo de acelerar podas. A Secretaria das Subprefeituras não informou quais os bairros que mais recebem pedidos. Segundo Sidney Simonaggio, diretor executivo de Operações da AES, o cuidado com as árvores é crescente e, em 2010, foram podadas 320 mil unidades na Grande São Paulo.

Os investimentos da concessionária crescem 14% ao ano, afirma Simonaggio. Ele diz ainda que todos os indicadores da Aneel, que medem a frequência e a duração das interrupções de energia, mostram uma melhora na prestação do serviço em 2011.

Questionada sobre o aumento de queixas, a AES Eletropaulo citou também o verão mais chuvoso. As informações do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), contudo, mostram que o período de janeiro a março de 2010 foi mais chuvoso.

 

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