Metade da água que abastece os grandes clientes da Sabesp sai do Cantareira

Metade da água que abastece os grandes clientes da Sabesp sai do Cantareira

Levantamento mostra redução de 25% no volume consumido do manancial pelas empresas que têm contratos com tarifas vantajosas

Fábio Leite, O Estado de S. Paulo

09 de março de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - Quase metade da água destinada aos grandes consumidores da Grande São Paulo sai do Sistema Cantareira. Dos cerca de 1,8 bilhão de litros que abasteceram, em janeiro, os 526 clientes da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) que têm contratos de fidelidade, com tarifas vantajosas, 851 milhões (46,5%) deixaram o manancial que está em situação mais crítica.

Esse volume, contudo, já foi maior. Levantamento feito pela Sabesp mostra que o consumo de água dos clientes fidelizados atendidos pelo Cantareira, como os condomínios comerciais da Avenida Paulista, caiu 25% em janeiro deste ano na comparação com fevereiro de 2014, primeiro mês da crise declarada no sistema, quando o gasto foi de 1,1 bilhão de litros. 

Nesse período, a Sabesp reduziu em 45% a produção de água do Cantareira para a Grande São Paulo, por meio da economia feita pela população, da transferência entre sistemas, que diminuiu a cobertura do manancial de 8,8 milhões de pessoas (47%) para 6,5 milhões (34%), e, principalmente, com a redução da pressão e fechamento da rede durante a maior parte do dia, um racionamento que não é “sistêmico”, segundo a companhia. Antes da crise, 73% da receita da Sabesp era obtida com o Cantareira.

De acordo com a empresa, os grandes consumidores também se empenharam na campanha de uso racional da água e reduziram o consumo mensal em 24% na região metropolitana, entre fevereiro de 2014 e janeiro deste ano, atingindo todos os sistemas. No Guarapiranga, por exemplo, que fornece 31,6% da água dos clientes fidelizados da Sabesp, a redução foi de 22,3%. No Alto Tietê, que cobre 9% do grupo e também opera com nível crítico (19,1% neste domingo, 8), a queda foi de 30,7%.

Chamados de “demanda firme”, os contratos de fidelidade são destinados a comércios e indústrias que consomem pelo menos 500 mil litros por mês. A vantagem para o cliente é que o custo do litro de água vai caindo à medida que o consumo cresce, lógica inversa da tarifa convencional. Por exemplo: na faixa de consumo de 500 mil a 1 milhão de litros, cada mil litros (metro cúbico) custa R$ 11,67. Já acima de 40 milhões de litros, o preço cai para R$ 7,72.

Para a Sabesp, o modelo de negócio, lançado em 2005 para tornar o preço da água mais competitivo no mercado e turbinado a partir de 2010, fideliza o cliente e garante melhor controle sobre o esgoto produzido pelas empresas. “O grande viés da demanda firme é o esgoto, que é 100% coletado pela nossa rede. O impacto ambiental disso é imenso”, afirma a gerente de relacionamento com clientes da Sabesp, Samanta Souza.

Campanha. Por contrato, cada cliente tem uma cota mínima obrigatória de consumo de água para conseguir a tarifa vantajosa, política que para alguns especialistas estimula o gasto abusivo. Samanta explica, porém, que, desde fevereiro de 2014, essa regra foi suspensa por causa da crise e os clientes de demanda firme foram liberados a usar fontes alternativas de água, como poço e caminhão-pipa. Segundo ela, 70% migraram para novas captações, mesmo sem direito ao desconto do programa de bônus, apenas à sobretaxa de até 50% na conta em caso de aumento do consumo.

A maior redução proporcional de consumo das grandes empresas ocorreu no Sistema Rio Grande (-43,6%), resultado alavancado pelas montadoras de automóveis da região do ABC. “Esse setor não precisa de água potável na sua cadeia de produção como o farmacêutico, por exemplo, onde a água de qualidade é uma exigência. Então, foi mais fácil para as fábricas migrarem para fontes alternativas”, diz Samanta.

Só o setor automotivo reduziu o consumo mensal de água em 64% em um ano. O segmento alimentação, como supermercados, 26%, hospitais, 19%, farmacêutico e varejista, 17,6% cada, aparecem na sequência. Os condomínios comerciais, como os da Paulista e da Avenida Berrini, foram os que menos economizaram: 14,8%. 

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