Mesmo sem greve, atrasos em voos cresceram 33,6% no Natal e réveillon

Entre 18 de dezembro e 3 de janeiro, 1 de cada 4 voos no País saiu mais de 30 minutos depois do previsto; Cumbica teve pior desempenho

Bruno Tavares e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2011 | 00h00

O balanço do movimento nos aeroportos do País durante as festas de fim de ano confirma aquilo que os passageiros sentiram na pele, mesmo sem a greve dos aeronautas e aeroviários: a situação piorou. Números oficiais obtidos pelo Estado apontam aumento de 33,6% dos atrasos acima de 30 minutos entre os dias 18 de dezembro e 3 de janeiro, na comparação com o ano anterior.

O índice, que em 2009 foi de 19,8%, saltou para 26,4% em 2010. Em entrevista às vésperas do Natal, a presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Solange Vieira, disse que tinha uma meta "ambiciosa": encerrar dezembro com porcentual de atrasos em torno de 20%, o que não ocorreu.

Outra má notícia para os passageiros brasileiros é que, no curto prazo, esse cenário tende a continuar. Isso se deve aos gargalos da infraestrutura dos aeroportos, que sofrem com deficiências em pistas, falta de vagas em pátios e terminais de embarque e desembarque acanhados demais para atender à demanda. Algumas obras de melhoria e de expansão estão prometidas para o segundo semestre deste ano, mas as mais significativas devem ficar prontas apenas próximo da Copa de 2014.

 

  

Na avaliação de autoridades do setor aéreo ouvidas pelo Estado, os principais terminais brasileiros atingiram o limite da capacidade em 2009 e, depois disso, já recebem mais voos e passageiros do que teriam condições físicas de absorver.

O Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na Grande São Paulo, é o melhor exemplo disso. Assim como em anos anteriores, o terminal liderou o ranking de atrasos no País durante o período das festas de fim de ano, com média de 31%, ante os 28,9% de 2009 e 23% em 2008. Juntos, seus dois terminais têm capacidade para absorver até 21 milhões de passageiros por ano, mas o limite está sendo ultrapassado em pelo menos 800 mil pessoas. É como se eles tivessem de suprir, além da própria demanda, todo o movimento do Aeroporto de Aracaju.

Para piorar, a partir de março o número de pousos e decolagens em Cumbica terá de ser reduzido para a realização de obras no sistema de pistas. Até agora, porém, não se definiu qual será o tamanho desse corte nem para quais terminais os voos serão remanejados. O Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, não só está impedido de receber mais voos como pode sofrer redução em seu horário de funcionamento, dependendo do resultado de um acordo judicial que está em curso.

Mercado em alta. Embora sejam preponderantes para se entender o aumento dos atrasos neste ano, os problemas nos aeroportos se somam a outros. Na alta temporada deste ano, por exemplo, as companhias realizaram 18,5% mais voos - foram 87 mil pousos e decolagens, ante 73 mil em 2009. A ascensão da classe C e a economia aquecida fizeram a taxa de ocupação dos aviões disparar - os números não estão consolidados, mas estima-se que ela chegará a 90% em algumas rotas. Em meio a tudo isso, empresas e trabalhadores ainda travam uma batalha pelo índice de reajuste salarial.

Queixas nos juizados

7.045

é o total de reclamações feitas em 2010 nos juizados especiais dos cinco aeroportos de São Paulo, Rio e Brasília.

157

reclamações foram registradas contra a TAM no fim de ano. Desde julho, foram 976 queixas só nos aeroportos de São Paulo.

Os piores

Passageiros enfrentaram maior porcentual de atrasos nos aeroportos nos dias 22 (44%), 23 (47%) e 3 (40%). No ano passado, nenhum dos picos de atraso chegou à marca dos 40%.

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