Mesmo sem barracos, famílias seguem na São João

Ontem, GCM retirou favela que havia sido montada no local, mas 230 famílias de sem-teto continuaram acampadas

ARTUR RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h03

A Guarda Civil Metropolitana (GCM) desfez, na manhã de ontem, a favela montada por famílias de sem-teto na Avenida São João, região central de São Paulo, após reintegração de posse de um prédio na mesma via na manhã de anteontem. Mas, mesmo sem os barracos, as pessoas continuaram no local, em situação ainda mais precária.

"Nós mesmos desmontamos e entregamos as tábuas. Vamos colocar um plástico, uma lona, para cobrir da chuva e do sol", disse Carmen Silva, uma das responsáveis pela coordenação da Frente de Luta por Moradia (FLM). Segundo ela, o grupo de 230 famílias conta com duas cozinhas comunitárias, que funcionam em plena rua, perto da Galeria Olido.

As famílias se negam a ir para albergues municipais, onde homens, mulheres e crianças têm de ficar separados. E cobram outra espécie de ajuda da administração municipal. Mas o prefeito Gilberto Kassab (PSD) diz apenas que os sem-teto já foram cadastrados e estão na fila para programas habitacionais da cidade.

"O papel da Prefeitura é estar ao lado dessas pessoas. Elas precisam do nosso apoio. Não há nada mais triste do que um pai de família, uma mãe de família, que não tem onde morar", afirmou o prefeito.

A vice-prefeita e secretária da Assistência Social, Alda Marco Antonio, admite que a rede está mais preparada para atender moradores de rua do que famílias sem-teto. "Não existe jeito de famílias ficarem juntas nesses albergues, por isso elas rejeitam. O que acontece quando tem um incêndio? São abertos abrigos emergenciais", diz. Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras, no entanto, não existe projeto para colocar em prática o tipo de solução apontado pela vice-prefeita.

Loja de roupa. O advogado Cleber Perrone, da empresa Afim Brasil, que pediu a reintegração de posse do prédio da São João, disse que o local será uma loja de roupas. O espaço foi alugado e estava em reforma, e não abandonado, segundo ele. "Ninguém loca um imóvel na esquina mais conhecida do Brasil para deixá-lo vazio", afirma o advogado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.