'Mesmo não sendo um enredo meu, abracei a ideia', diz Paulo Barros

Para uns um gênio e para outros só arrogante, carnavalesco imprime modernidade aos desfiles do Rio - com concessões

ALEXANDRE RODRIGUES / RIO, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2012 | 03h03

Admirado e criticado a cada desfile, o carnavalesco Paulo Barros surpreendeu mais uma vez. Diferentemente dos últimos anos, sua Unidos da Tijuca não chegou ontem à apuração como uma clara favorita ao título, o segundo da carreira dele - Barros conquistou o outro campeonato para a Tijuca em 2010, com "É segredo!".

Curiosamente, o carnavalesco leva mais uma vez o troféu para a comunidade do Morro do Borel, na zona norte do Rio, fazendo concessões em relação à modernização que vem tentando imprimir ao carnaval. Em 2010, só conquistou os jurados ao apresentar alegorias mais tradicionais.

Neste ano, parou de resistir ao pedido do presidente da Tijuca, Fernando Horta, para elaborar um enredo sobre Luiz Gonzaga. Mas avisou logo que não faria um desfile biográfico convencional, o que ele, sem meias palavras, classificou de "muito chato".

"Foi dito que eu não gostava de fazer enredos tipicamente brasileiros. Mesmo não sendo um enredo autoral meu, abracei a ideia. Tenho de me apaixonar pelo que faço e eu sou apaixonado pelo meu trabalho", disse ontem, ao chegar à quadra da Tijuca.

Aos 49 anos, o carnavalesco está longe da unanimidade e, para muitos, vem construindo uma imagem arrogante ao criticar abertamente as convenções das escolas de samba. Para outros, é um gênio incompreendido. Sem esconder que detesta explicar suas criações, Barros diz fazer alegorias simples e objetivas, mas sempre espetaculares.

Mestre. Nascido em Nilópolis, na Baixada Fluminense, ele cresceu perto da Beija-Flor e acabou se tornando mais tarde o principal rival da escola.

Por outro lado, nunca escondeu que teve no maior mito da Beija-Flor, o carnavalesco Joãosinho Trinta, sua principal inspiração para trocar a carreira de comissário de bordo pela de mago do carnaval.

Assim como seu ídolo, Barros tem alcançado seu principal objetivo desde que estreou no Grupo Especial pela Tijuca, em 2004: incomodar.

Enquanto Trinta emplacou o luxo como padrão, Barros introduziu já naquele ano as alegorias humanas como uma tendência repetida pelas outras escolas. Mas ele já chamava a atenção no mundo do samba desde 1993, quando começou na pequena Vizinha Faladeira e ainda passou por Arranco e Paraíso do Tuiuti, no Grupo de Acesso.

Revelado pela Tijuca, que mudou de patamar entre as grandes escolas, Barros logo teve o passe comprado pela Viradouro, em 2007, onde produziu mais polêmicas, como um carro alegórico retratado de ponta-cabeça. Os jurados não gostaram, e a escola também não, o que viabilizou a volta à Tijuca.

Quando finalmente venceu, ele se declarou "absolvido".

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