Mesmo com verba, obra da Ceagesp está parada

R$ 11 milhões já foram liberados, mas companhia aguarda laudo para avaliar risco

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

03 Março 2011 | 00h00

Com R$ 11 milhões de verba federal em caixa, a reforma no pavilhão principal da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), prometida para dezembro, está atrasada - e sem previsão para começar. Lá, os problemas são as infiltrações, a fiação exposta e o piso esburacado, que já causou acidentes. Ainda mais crítico, o setor de melancias não tem nem obra prevista - e os vendedores que armazenam as frutas no chão é que têm de arcar com o prejuízo de ter suas mercadorias estragadas a cada enchente.

A Ceagesp afirma que aguarda um laudo técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para avaliar os riscos e condições da obra no chamado pavilhão do Mercado Livre do Produtor (MLP), que abriga a feira das flores, verduras e o "varejão" do fim de semana. O IPT afirma que já entregou o laudo à companhia, e aguarda deles uma avaliação para possíveis alterações no projeto de reforma.

O Ministério Público Estadual também acompanha a situação do entreposto - questionado sobre o atraso nas obras, o MPE afirmou que até agora "as diligências estão sendo cumpridas", e que o "procedimento de reforma está em andamento". Ainda assim, a promotoria deve fazer nas próximas semanas nova análise da situação do pavilhão e emitir mais um parecer.

Para dar início à reforma, a Ceagesp aguardava um aporte de R$ 11 milhões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, verba liberada em outubro. Desse dinheiro, R$ 7 milhões devem ser usados para reforma e o restante para regularizar a situação dos galpões de armazenamento, hoje sem certificação.

Dúvidas. Incrédulos, os vendedores desconfiam da reforma. "Prometeram obra, mas ninguém sabe se vai ter mesmo. Eles estão esperando o quê? O teto cair?", questiona Antônio Araújo, um dos comerciantes da feira de verduras. Na verdade, isso até já aconteceu: no ano passado, os comerciantes contam que uma placa de cimento do teto chegou a cair em cima de um caminhão de verduras. Por sorte, ninguém ficou ferido.

Quem trabalha diariamente no pavilhão conta que a situação vem piorando não só para os comerciantes, mas para os compradores. "Um senhor de 80 anos que trabalha com a gente já caiu duas vezes com o carrinho de mercadorias por causa do chão esburacado. Outro dia, uma compradora tropeçou e quebrou a perna", diz Francisco Sérvolo, feirante há 27 anos.

Na Ceagesp, cada um paga cerca de R$ 600 por "pedra", espaço onde se comercializam os produtos. A pintura no chão que delimita cada módulo já quase não existe. "Adoro comprar aqui, é tudo barato e fresquinho. Mas não custava tornar o lugar mais agradável para o consumidor", afirma o administrador de empresas Luiz Fernando Santos, frequentador.

A demora para começar as obras preocupa os produtores do setor das flores. "Dia das Mães e Dia dos Namorados estão chegando, é a época que a gente mais vende. Se as obras vierem justo nesse período, vai atrapalhar o trabalho de todo mundo", afirma o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Flores e Plantas do Estado de São Paulo (Sincomflores), Paulo Murad.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.