JF Diorio/AE
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Mesmo com obras antienchente da Prefeitura, 5 córregos transbordam

Gestão Kassab havia garantido ao Ministério Público que intervenções de R$ 78 milhões resolveriam falhas de drenagem nesses locais

Nataly Costa e Renato Machado, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

As obras feitas pela Prefeitura de São Paulo nos córregos não foram suficientes para conter os transbordamentos deste verão. Dos oito córregos e rios que transbordaram desde novembro, cinco tiveram intervenções dadas como "concluídas" pelo poder público - que garantiu que elas seriam suficientes para pôr fim aos problemas de drenagem.  

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A reportagem do Estado cruzou as informações de todas as obras de drenagem e canalização da Prefeitura com a quantidade de transbordamentos registrados pelo Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). A lista com as intervenções feitas de 2005 a 2010 foi encaminhada pela Prefeitura ao Ministério Público Estadual, que instaurou um inquérito para apurar as causas das enchentes.

O documento garante que, das intervenções elencadas, "as que puderam ser concluídas resolveram definitivamente o problema de drenagem". Também afirma que foi possível eliminar 80 pontos críticos de alagamentos até o presente momento. Até o fim da gestão Gilberto Kassab (DEM), em 2012, seriam 170. A Prefeitura não informou quais foram os pontos solucionados.

Transbordaram, de novembro até agora, os Córregos Ipiranga, Mooca, Morro do S, Jaguaré, Cabuçu de Baixo no Guaraú, Limoeiro e Limão e o Rio Aricanduva. Desses, apenas os três últimos não tiveram obras de drenagem ou canalização concluídas. Os demais receberam, nos últimos cinco anos, investimentos de R$ 78,3 milhões. Os Rios Tietê e Pinheiros também transbordaram, mas a responsabilidade por eles é do governo do Estado.

O Córrego Morro do S, em M"Boi Mirim, na zona sul, foi o campeão de transbordamentos na atual temporada. Foram três vezes apenas em janeiro: nos dias 5, 9 e 10. A última vez foi na madrugada da maior chuva do ano até agora (do dia 10 para o dia 11), com 125 pontos de alagamento.

Já o Córrego da Mooca extravasou duas vezes fora dessa noite: nos dias 30 de novembro e 13 de janeiro.

Além das obras em córregos, a Prefeitura elenca no relatório enviado ao MPE intervenções em galerias pluviais de locais como Pompeia, Lapa e Mooca. Os trabalhos na Galeria da Rua Prates, no Bom Retiro, por exemplo, não foram suficientes para conter alagamentos no bairro, mesmo em vias perto dali.

"Alagamentos acontecem onde o sistema de drenagem não tem como conduzir a vazão. É preciso ampliar as galerias e não somente recuperá-las. Assim, os problemas não vão acabar", alerta o engenheiro hidráulico do Instituto de Engenharia Júlio Cerqueira Cesar Neto. "Optou-se pela construção de piscinões e se esqueceu de investir para melhorar a rede de galerias."

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