Mesmo com greve, visita a presídios é mantida neste sábado

Em unidades do interior paulista, entrada de visitantes foi permitida, apesar de paralisação dos agentes penitenciários

Chico Siqueira e Ricardo Brandt, O Estado de S. Paulo

22 Março 2014 | 12h11

ARAÇATUBA - As visitas íntimas e de familiares de presos transcorreram normalmente neste sábado, 22, nas unidades prisionais do Oeste Paulista, região onde está concentrado o maior número de penitenciárias do Estado. A stiuação também é regular em Campinas. Em algumas unidades a quantidade de visitantes diminuiu devido à greve dos agentes penitenciários, que entra hoje no 13.° dia.

Na Penitenciária 2, de Presidente Venceslau,  que abriga líderes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), as visitas tiveram uma queda de aproximadamente 40% por conta da greve dos agentes. Neste sábado, a visitas eram para presos detidos em raios de números ímpares; neste domingo, será a vez dos presos dos raios de numeração par receber os parentes.

Até as 11h39 nenhum visitante havia sido barrado por introduzir materiais para os detentos, ao contrário da semana passada, quando uma mulher foi presa tentando introduzir uma carta, cartão de memória e pen drive, com informações sobre tráfico de entorpecentes e vendas de armas.

Em outras unidades controladas pelo PCC, como Valparaíso, Mirandópolis e Lavínia, a visita foi tranquila e a redução foi menor, entre 20% a 30%. Os parentes dos detentos puderam entrar com os jumbos (alimentos e objetos de higiene pessoal) para os presos.  A expectativa é de que a situação se repita neste domingo nas unidades do Oeste.

Embora o clima seja de tranquilidade do lado de fora, os sindicalistas reclamam que a falta de agentes – o sistema tem um déficit de 10 mil funcionários – obriga que apenas quatro ou cinco façam a fiscalização de centenas, milhares, de visitantes, enquanto seria necessário o triplo disso. “É uma pouca vergonha. O Governo do Estado quer que a gente receba as visitas, mas não dá condições para isso. Também é por isso que estamos greve”, diz o Luiz da Silva Filha, diretor do Sifuspesp.

Campinas. No complexo penitenciário Campinas-Hortolândia, os agentes em greve permitiram a entrada de uma visita por preso neste sábado, 22. Na quinta-feira, o Sindicato dos Agentes de Segurança Penitenciária do Estado de São Paulo (Sindasp) havia aprovado a liberação das visitas íntimas e de parentes.

Até quinta-feira, quando foram registrados os primeiros confrontos entre agentes e a polícia para forçar a entrada de presos nas unidades prisionais, os grevistas ameaçavam suspender as visitas, caso o governo não retomasse as negociações. O movimentou entrou no 13.º dia.

No complexo, o maior do Estado, os agentes decidiram liberar a entrada de um refrigerante, um maço de cigarro e uma vasilha com comida. Com a decisão, a situação é tranquila, apesar da tensão. As visitas vão até as 16h.

Familiares temiam a possibilidade de rebeliões por causa da decisão dos agentes penitenciários de restringir as visitas e entrada de alimentos para os presos. No complexo Campinas-Hortolândia são cinco unidades prisionais (duas de regime semiaberto).

Nas três unidades de regime fechado, a capacidade é para 2.377 detentos, mas na sexta-feira havia 4.239, segundo dados da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado.

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