Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Mesmo com fim da crise, Cantareira abastece 15,9% a menos

Mais de um mês após Alckmin anunciar recuperação do sistema, reservatórios atendem 7,4 milhões, contra 8,8 milhões em 2014

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2016 | 12h55

SÃO PAULO - Mais de um mês após o governador Geraldo Alckmin (PSDB) decretar o fim da crise hídrica em São Paulo, a quantidade de pessoas abastecidas pelo Cantareira ainda é 15,9% menor do que em janeiro de 2014, quando foi emitido o primeiro alerta público para a seca no sistema. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a recuperação dos reservatórios permitiu que o manancial voltasse a atender 7,4 milhões de paulistas em abril - número inferior, no entanto, aos 8,8 milhões de abastecidos pelo sistema há dois anos.

A produção de água no Cantareira também está abaixo de antes da crise. Hoje, o sistema produz 23 mil litros por segundo - 27,4% a menos do que em 2014, quando os reservatórios produziam 31,7 mil litros por segundo. Já a afluência do sistema, que chegou a ser inferior a 4 mil litros por segundo em outubro de 2014, hoje está em 23,3 mil litros por segundo, de acordo com a Sabesp.

Em nota, a companhia diz que respeita a outorga atual do Cantareira determinada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE), que limita a retirada de água a 23 m³/s. "Só será possível retornar à condição anterior à crise com a autorização para retirar a mesma quantidade de água de 2013 (média de 31 m³/s)", afirma a empresa.

No auge da crise, o Cantareira precisou ser socorrido por outros mananciais, como o Alto Tietê e o Guarapiranga, e chegou a atender apenas 5,4 milhões de pessoas. A Sabesp afirma que o aumento no número de abastecidos "confirma a recuperação contínua do sistema e o fim da crise hídrica". 

Na época do comunicado da crise, o principal manancial paulista estava com 23,1% da capacidade, até então o índice mais baixo dos últimos dez anos. Atualmente, o sistema opera com 36,9% da capacidade, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira, 14, e não registra queda há quase seis meses. 

Obras. O número de pessoas abastecidas pelo Cantareira deve sofrer alterações após a conclusão de obras voltadas para o aumento da segurança hídrica de São Paulo. Com conclusão prevista para outubro de 2017, o futuro Sistema São Lourenço pode atender mais 500 mil moradores da Grande São Paulo, hoje abastecidos pelo Cantareira, caso receba outorga para captar 6,4 mil litros por segundo, em vez dos atuais 4,7 mil litros por segundo. 

Já a transposição de água da Bacia do Rio Paraíba do Sul para o Cantareira, segundo a Sabesp, tem como objetivo "otimizar a capacidade de reservação dos dois mananciais e não ampliar a produção ou a área de atuação do Sistema Cantareira". 

Bônus. De acordo com balanço divulgado nesta quinta, 78% dos clientes da Sabesp reduziram o consumo de água em março. Em fevereiro, 77% das pessoas haviam economizado. Do total, 43% receberem desconto na conta de água. Já a multa por gasto excessivo da água foi aplicada a 14% dos clientes, ante 15% no mês anterior.  

 

Adotados em 2014 para evitar desperdícios, tanto o desconto por economia quanto a multa para os "gastões" não serão mais aplicados a partir de maio. O cancelamento dos programas foi autorizado pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) há duas semanas. No pedido, a Sabesp argumentou que a atual situação hídrica permite “maior previsibilidade sobre as condições dos mananciais”. 

Também a partir de maio, a conta de água e esgoto da vai ficar 8,45% mais cara. Com o reajuste, a tarifa residencial normal vai subir para R$ 22,38 no consumo de até 10 m³ de água. Por sua vez, a tarifa social, voltada para famílias de baixa renda, aumenta de R$ 7 para R$ 7,59 nessa faixa de consumo, com a aplicação do mesmo valor para esgoto. 

A Sabesp diz que o fim dos programas "não quer dizer que os clientes não possam ter uma conta mais barata". "Desde que haja consumo consciente da água, é possível sim pagar menos", diz a companhia. "A estrutura tarifária da Sabesp sempre valorizou o cliente que consome menos água. Isto é, quanto menor o consumo do cliente, mais barato é o metro cúbico da água, pois a estrutura é progressiva."

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