TIAGO QUEIROZ/ESTADÃO
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Mesmo com calor, economia de água se mantém em SP

Moradores deixaram de gastar 6,3 mil litros por segundo em setembro; Sabesp diz que 81% dos clientes reduziram consumo

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

08 de outubro de 2015 | 03h00

SÃO PAULO - A economia de água feita pela população ficou estável em setembro, aponta balanço da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O volume poupado pelos cerca de 20 milhões de clientes da região metropolitana no último mês do período seco foi de 6,3 mil litros por segundo, índice igual ao de agosto, mas ainda inferior ao de julho (6,5 mil l/s), que foi recorde desde a criação do programa de descontos na conta, em fevereiro de 2014.

Segundo os dados da companhia, o número de clientes que reduziram o consumo de água em setembro em relação à média anterior à crise hídrica (fevereiro de 2013 a janeiro de 2014) chegou a 81%, uma ligeira alta em relação a agosto (80%). Em julho, a adesão havia atingido 83% dos consumidores. Ao todo, 70% dos clientes receberam descontos na fatura, que vão de 10% a 30%. 

Já a parcela de clientes que aumentaram o consumo, mesmo diante da crise, caiu de 20%, em agosto, para 19% em setembro. Apesar disso, a fatia de consumidores penalizados com a sobretaxa de até 50% do valor total da conta ficou estável em 12%. Em agosto, a Sabesp arrecadou R$ 45,9 milhões com a medida. Os outros 7% não recebem multa porque consomem menos de 10 mil litros por mês.

Na prática, 16,3 bilhões de litros deixaram de sair dos reservatórios por causa da economia considerada “espontânea” pela população. O volume representa 1,6% da capacidade normal do Sistema Cantareira, ou quase todo o estoque possível do Sistema Alto Cotia (16,5 bilhões de litros), e seria suficiente para abastecer quase dois milhões de pessoas por mês, segundo a Sabesp, o equivalente às populações de Campinas, Sorocaba e Santos juntas. 

O volume economizado no mês passado é 75% superior ao registrado em setembro de 2014, quando 25% gastaram mais água e a economia chegou a apenas 3,6 mil l/s. À época, a multa da água ainda não havia entrado em vigor, por determinação do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo a Sabesp, a economia feita pela população “é fundamental para a manutenção do abastecimento de água” na Grande São Paulo.

O índice de economia ficou estável mesmo com o calor mais intenso na capital. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a temperatura máxima média de setembro foi de 26,7º C, ante 26,1º C registrados em agosto, que já havia sido o mais quente em 10 anos. De acordo com o monitoramento, setembro registrou 13 dias com temperaturas acima de 30ºC, o que favorece o aumento do consumo de água.

A vantagem é que junto com o calor também vieram as chuvas. Só no Cantareira, a pluviometria ficou quase 80% acima da média histórica, o que contribuiu para que o principal manancial iniciasse outubro com um estoque de água maior do que há um ano, fato que não ocorria desde 2010.

Alto Tietê. Já no Sistema Alto Tietê, o segundo maior que atende a Grande São Paulo, as chuvas mais volumosas em 32 anos fizeram com que a entrada de água nas represas que formam o manancial em setembro ficasse acima da média pela primeira vez desde novembro de 2013. Foram 15,6 mil l/s registrados, ante 13,3 mil previstos. Há um ano, o índice foi de 12,6 mil l/s. “O resultado é que, mesmo em um mês seco, o Alto Tietê viu seu nível subir de 13,7% para 15%”, afirma a Sabesp.

Com o início da temporada chuvosa, que vai até março, e a transposição de 4 mil l/s da Billings, entregue na semana passada, a Sabesp espera recuperar o Alto Tietê para poder usá-lo para socorrer bairros que ainda são atendidos pelo Cantareira.

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