Mesmo com ação de tombamento, dono quer prédio do Belas Artes

Sócio do cinema, cineasta Fernando Meirelles diz que proprietário quer R$ 150 mil de aluguel, [br]valor considerado inviável

Bruno Paes Manso, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2011 | 00h00

O cinema Belas Artes deve fechar as portas em fevereiro por causa do valor do aluguel pedido pelo locador do imóvel. Segundo o cineasta Fernando Meirelles, um dos sócios do empreendimento, o proprietário quer receber R$ 150 mil. "Hoje pagamos R$ 63 mil e o cinema é deficitário em R$ 40 mil por mês. O patrocínio deveria cobrir ao menos este valor para zerarmos as contas, mas o proprietário nos pede R$ 150 mil, o que inviabiliza a operação toda, mesmo se tivermos nosso patrocinador", diz.

Na sexta-feira, Meirelles enviou ao repórter do Estado, Luiz Carlos Merten, e-mail dizendo: "O Belas Artes vai mesmo fechar. Apesar da abertura do processo de tombamento, falamos com o advogado do proprietário hoje e ele disse que, mesmo assim, ele quer o imóvel de volta em final de fevereiro. Agora não há jeito mesmo. A última sessão será dia 24 de fevereiro. Parte dos equipamentos a O2 vai doar para a ECA/USP e o resto vamos ver ainda."

O Estado conversou ontem com o advogado Fabio Luchesi Filho, que representa o proprietário do imóvel, Flávio Maluf. O advogado não quis dizer o valor do aluguel a ser cobrado. Contou que o imóvel é a única fonte de renda do proprietário e vai cobrar do inquilino o valor de mercado. "O aluguel atual de R$ 63 mil é referente ao valor de cinco anos atrás." Segundo Luchesi, se os locatários tiverem condições de arcar com o valor reajustado do aluguel, as portas para a negociação estarão abertas.

O cineasta André Sturm, outro sócio do Belas Artes, afirma que já havia obtido patrocinador. Depois da mobilização, recebeu mais duas ofertas de novos investidores interessados no patrocínio. "Mas trabalhamos com R$ 63 mil. Daria para negociar, mas não dá para trabalhar com valor fora da realidade", afirma.

Sobre o processo de tombamento, Luchesi afirma que recebeu tranquilamente o pedido de abertura pelo município. "Estamos juridicamente preservados, porque não há tombamento por função e o imóvel não justifica a medida de preservação."

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