Mesmo com 94 mil na fila, creches de SP atendem 7 mil a menos neste ano

Em 2013, o número de matriculados na rede teve a primeira queda desde 2007; Prefeitura diz que as vagas estão ociosas por alterações regionais da demanda, mas administração anterior aponta problemas de gestão e falta de checagem semanal

Paulo Saldaña, O Estado de S. Paulo

29 Abril 2013 | 02h02

As creches da cidade de São Paulo estão atendendo 7 mil crianças a menos do que no ano passado. Em dezembro de 2012, o Município registrava 214.094 matrículas, mas dados de abril deste ano mostram que a administração paulistana tem atendido 206.945 crianças. Apesar de haver vagas ociosas, a fila por creche em São Paulo é de 94 mil crianças. É a primeira vez que o atendimento registra queda, pelo menos desde junho de 2007.

Essa queda ocorreu por causa de alterações regionais da demanda e também pela mudança na faixa etária das crianças atendidas, como explica a Secretaria Municipal de Educação. Quando uma creche passa a atender mais crianças de berçário do que alunos mais velhos, a capacidade cai.

"Berçário ocupa mais espaço físico e menos alunos são atendidos. Isso gera as vagas remanescentes", explicou a Prefeitura em nota. Em meados do ano passado, 37% da fila por educação infantil na cidade era de crianças de até 1 ano, segundo informações obtidas pela ONG Ação Educativa.

Em abril, a gestão de Fernando Haddad (PT) registrava 5.797 vagas remanescentes, além de 1.623 matrículas em processo. Não houve regressão no cadastro de oferta de vagas, uma vez que o cálculo leva em consideração a capacidade dos prédios. Segundos os dados do portal da secretaria, essa oferta atualmente seria de 214.365 lugares.

Integrantes da gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) indicam que a queda no atendimento é um problema da atual administração na gestão das vagas. Segundo a equipe de Kassab, havia uma checagem semanal sobre essas questões.

Fila. Para o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), existe uma falha de planejamento. "São movimentos previsíveis que não são acompanhados, como demanda demográfica, taxas de fecundidade regionais."

Enquanto não consegue uma vaga para Yuri, de 2 anos, a secretária Luzia Rosa, de 26, compromete 40% da renda familiar para pagar uma creche particular. "Talvez consiga só no ano que vem. Ele está na posição 389 na fila daqui", diz ela, que é de Paraisópolis, zona sul.

Por regiões. Enquanto a demanda é sempre superior em bairros mais pobres, sobram vagas nas áreas mais ricas. Na região de Perdizes, por exemplo, existem 29 vagas de creche em aberto.

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