Mesmo baleado, advogado dirige até o hospital

Ele foi cercado, quando voltava do trabalho, por dois homens que pediram o carro, teria reagido e levou um tiro no ombro

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

08 Janeiro 2011 | 00h00

Mesmo baleado no peito após uma tentativa de assalto, na noite de anteontem, o advogado Sebastião Soares, de 67 anos, conseguiu dirigir até o Hospital e Maternidade São Carlos, na Vila Matilde, zona leste da capital, no mesmo quarteirão do crime, mas acabou morrendo na mesa de cirurgia.

Soares foi abordado por volta das 19h30 de quinta-feira por dois homens que queriam levar seu carro, um Civic preto com placa de Guarulhos. Os dois estavam em uma moto, que tinha a placa virada para impedir a identificação. Segundo a polícia, a hipótese mais provável é que Soares tenha acelerado o veículo quando foi cercado.

O tiro atingiu a região do ombro do advogado, que não entregou o veículo, e seguiu rumo à Rua Joaquim Marra, onde fica o hospital. A vítima pediu ajuda no pronto-socorro e foi levada para o centro cirúrgico ainda consciente. Policiais militares foram chamados por testemunhas e conseguiram ouvir algumas palavras de Soares antes que ele fosse operado.

Segundo policiais militares, ele disse que foi cercado por dois desconhecidos, mas não comentou sobre uma suposta reação. Cerca de meia hora depois, ele morreu.

O corpo do advogado, que morava no Tatuapé, será enterrado hoje, no Cemitério do Carmo, em Itaquera, também na zona leste da capital.

Volta do trabalho. Parentes que conversaram com a reportagem disseram que o enterro não foi realizado ontem para que um irmão da vítima pudesse chegar do interior. "Foi uma tragédia. Não sei o que falar, estou muito mal. Meu pai estava voltando do trabalho e aconteceu isso", lamentou o filho de Soares, que se apresentou como Ricardo.

Ele contou que um médico da família chegou a ser chamado às pressas para socorrer seu pai assim que eles souberam do crime, mas ao chegar ao hospital não houve tempo de fazer nada.

Registro. O caso foi registrado no 10.º Distrito Policial (Penha) como latrocínio - roubo seguido de morte.

Investigadores afirmaram à reportagem que desde 2009 a delegacia não registrava nenhum latrocínio.

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